De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde (MS), entre 2021 e 2025, foram realizadas 20.214 notificações de violências autoprovocadas e interpessoais nos sistemas de saúde pública de Sergipe
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Núcleo de Vigilância de Violências e Acidentes (Nuviva) e em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), promoveu nesta segunda-feira, 17, a ‘Oficina de Qualificação das Notificações das Violências Interpessoais e Autoprovocadas por Regiões de Saúde’. A iniciativa contou com quase 150 participantes e abordou temas importantes para aprimorar a identificação e notificação, dentro dos serviços de saúde pública, das violências em questão.
A capacitação teve como público-alvo profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS), Vigilância Epidemiológica, núcleos de Vigilância de Violências, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), hospitais e unidades de pronto atendimento (UPAs). De acordo com a referência técnica do Nuviva, Maiana Félix, a oficina teve como objetivo sensibilizar as equipes da rede de saúde pública dos municípios sobre a necessidade da notificação qualificada, além da oferta de um cuidado cada vez mais humanizado para os pacientes nos casos de violência.
“É de extrema importância que a saúde reconheça a violência como uma questão de saúde pública, a tratando de uma forma preventiva, identificando os seus sinais e interrompendo ciclos de violência e casos graves de agressão, exploração e até tentativas de suicídios”, ressaltou Maiana.
A reunião promoveu um momento de troca de informações relevantes e experiências, além de um importante espaço de debate, capacitando os profissionais sobre as melhores formas de realizar a vigilância das violências, o preenchimento das fichas de notificação; a identificação, acolhimento e atendimento de casos de violência; a comunicação externa e os protocolos intersetoriais para qualificação do cuidado e da prevenção das violências.
Para a coordenadora da Atenção Primária à Saúde (APS) de Carmópolis, Carla Regina, a capacitação é essencial para que os profissionais de saúde saibam qual direcionamento devem adotar nos casos de violência. “É muito importante participarmos desta oficina porque esta é uma oportunidade de aprendermos mais e ficarmos cientes da necessidade de realizar a notificação de casos de violência da forma mais adequada, sejam eles referente à mulher, à criança ou idosos”, pontuou.
Violências interpessoais e autoprovocadas
As violências interpessoais são aquelas praticadas por uma pessoa contra outra ou contra um grupo e podem ocorrer em diferentes relações e ambientes. Entre os exemplos estão a violência física, como agressões e espancamentos; a violência psicológica, como ameaças e humilhações; a violência sexual, como estupro, abuso e exploração sexual; a negligência ou abandono, especialmente quando existe responsabilidade de cuidado; e a violência doméstica, praticada no contexto das relações familiares. Já as violências autoprovocadas são aquelas em que a própria pessoa provoca lesão ou agravo a si mesma, como em casos de tentativa de suicídio, autolesão com ou sem intenção de suicídio e automutilação.
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde (MS), entre 2021 e 2025, foram realizadas 20.214 notificações de violências autoprovocadas e interpessoais nos sistemas de saúde pública de Sergipe, sendo: 1.943 em 2021, 3.404 em 2022, 4.515 em 2023, 4.986 em 2024 e 5.366. Analisando os números, nota-se um crescimento de registros de 176%, que reflete, em partes, a melhoria gradual, mas ainda incompleta, dos processos de identificação e notificação.
Essas formas de violência continuam sendo graves problemas de saúde pública, por isso, é cada vez mais necessário a realização de capacitações para que os profissionais de saúde estejam habilitados e preparados para atender pacientes nestes casos e realizar a notificação de maneira adequada. Com o processo de notificações é possível desenvolver bancos de dados que irão servir como base para a construção de políticas públicas mais adequadas e assertivas que aprimorem o combate e o atendimento nos episódios de violências interpessoais e autoprovocadas.
Fotos: Felipe Goettenauer





















































