Sergipanos devem estar atentos aos perigos da obesidade
Dados divulgados nesta segunda-feira, 17, pelo Ministério da Saúde, devem deixar os sergipanos mais atentos quanto ao sedentarismo e aos maus hábitos alimentares. De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 10 anos a prevalência de obesidade entre jovens com idade entre 25 e 44 anos passou de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016. O resultado, que aponta para o maior índice de diabéticos e hipertensos, provém de entrevistas feitas em todas as capitais brasileiras.
Para o responsável técnico pela Área de Alimentação e Nutrição da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Ronaldo Cruz, em percentuais nacionais referentes a 2014, por meio da Vigitel, Aracaju chega a 17,9% em casos de adultos com obesidade (Índice de Massa Corporal – IMC ? 30 Kg/m²), perdendo para capitais, como Florianópolis (14,3%), São Luiz (14,6%) ou Goiânia (15%). A capital sergipana, por sua vez, ganha para Campo Grande (21,8%), Cuiabá (21,5%) ou Porto Alegre (20,9%).
“Mesmo mantendo tradições culturais que refletem em consumo de alimentos saudáveis, como feijão e arroz, os sergipanos também precisam reduzir os índices de gordura e sódio dos seus cardápios. Como prova o mesmo resultado referente a 2014, pela Vigitel, apresentou Aracaju como capital brasileira com 55% de homens com excesso de peso (IMC ? 25 Kg/m²). Já a população de mulheres chegou a 48%”, explanou.
Ações estaduais
O responsável técnico ainda destaca que no último mês de fevereiro, o Governo de Sergipe através da SES apresentou ao Ministério da Saúde (MS) o Plano Estadual de Prevenção, Controle e Tratamento de Sobrepeso e da Obesidade.
Segundo Ronaldo, além do Plano, nos últimos anos a SES tem apoiado ações junto às Unidades Básicas de Saúde (UBS), na perspectiva de construir atividades integradas com os polos de Academia da Saúde, programas de Saúde nas Escolas e Núcleos de Apoio à Estratégia Saúde da Família (NASF), embora os municípios sejam plenos no desenvolvimento dessas ações.
“Tendo como referência a publicação ‘Guia Alimentar para a População Brasileira’, feito pelo MS e reconhecido mundialmente com recomendações sobre alimentação saudável e consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, a SES lançou ‘Dez passos para uma alimentação saudável’, visto que Sergipe tem população adulta predisposta à hipertensão e a diabetes”, acrescentou.
Nutrição
Segundo a pesquisa nacional, o crescimento da obesidade é um dos fatores que pode ter colaborado para o aumento da prevalência dessas doenças, por sua vez crônicas, não transmissíveis, que pioram as condições de vida do brasileiro e podem até matar. O diagnóstico médico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016 e o de hipertensão de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016. Em ambos os casos, o diagnóstico é mais prevalente em mulheres.
“Esses diagnósticos também podem estar associados às heranças genéticas e ao estresse. Por outro lado, o fruto da obesidade se dá no convívio, tornando muito difícil a chance de pais obesos não terem filhos obesos, uma vez que hábitos alimentares saudáveis não estão sendo transferidos de uma geração à outra. No geral, temos hoje alimentações com altos índices glicêmicos, ou seja, com valores calóricos acrescidos, o que também não implica, para contenção, no consumo excessivo de alimentos integrais, visto que também apresentam seus valores glicêmicos. É preciso condicionar organismos ao consumo equilibrado e saudável desses valores”, explicou a nutricionista Tissiana Ramos.
Tissiana ressalta também que a prevalência de diagnósticos de diabetes e hipertensão em mulheres está também associada à tripla jornada de trabalho que a maioria cumpre. “Ter que gerir casa, trabalho e filhos faz com que mulheres deixem de ser cuidadosas com a própria saúde. Outro fator é a diferença metabólica comparada ao homem. Colocada em alto nível de estresse e tendo já um metabolismo menor, a mulher passa a ter alterado o percentual e a quebra de gordura” destacou.
Mudança positiva
Em meio aos dados alarmantes nos quais Sergipe está inserido, uma das mudanças positivas identificadas na pesquisa é a redução do consumo regular de refrigerantes ou sucos artificiais. Em 2007, o indicador era de 30,9% e em 2016 foi de 16,5%. Além disso, em 2009, 30,3% da população fazia exercícios físicos por pelo menos 150 minutos por semana. Em 2016 a prevalência foi de 37,6%.
“O adolescente não quer perder tempo, daí a adesão aos fast foods e aos carboidratos em geral. Já o fato de cuidar melhor da estética tem sido para eles um fator positivo que precede a ingestão de alimentos saudáveis e a adesão às práticas esportivas, com melhoria das condições estruturais das academias. Mais adiante, observando a melhor idade, há maior preocupação com a alimentação, com o exercício físico, o que tem ampliado a qualidade de vida deles. No mais, mesmo com dados alarmantes divulgados nacionalmente, é possível vermos mais lojas de produtos naturais, de alimentos gourmets, utilização maior de espaços públicos esportivos e preocupações relacionadas à saúde” concluiu a nutricionista.

Ronaldo Cruz, técnico pela Área de Alimentação e Nutrição da SES

Tissiana Ramos, nutricionista
Publicado: 18 de abril de 2017, 21:00 | Atualizado: 18 de abril de 2017, 21:00