Secretaria de Estado da Saúde promove oficina para identificação e notificação de violência contra a pessoa idosa

A capacitação foi direcionada a profissionais de saúde que compõem a rede de proteção à pessoa idosa e estudantes do último ano de graduação dos cursos da área da saúde da Universidade Federal de Sergipe

A violência contra a pessoa idosa é qualquer ação ou omissão que cause danos a uma pessoa com 60 anos ou mais. Isso pode incluir violência física, psicológica, financeira, negligência e abandono. Com o intuito de sensibilizar e capacitar atuais e futuros profissionais da saúde para identificar e notificar casos de violência contra idosos, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), promoveu, nesta quarta-feira, 17, a oficina ‘Violência Contra a Pessoa Idosa: Identificar para Acolher, Notificar para Melhor Cuidar!’. A ação foi realizada em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS).

A rede de saúde pública é parte fundamental da rede de proteção na identificação de casos de violência contra a pessoa idosa, pois os profissionais de saúde atuam diretamente com esse público, os atendendo até mesmo em suas residências, como explicou a referência técnica do Núcleo de Vigilância de Violências e Acidentes da SES, Ingrid Lima. “Muitos dos agressores que praticam violência contra a pessoa idosa são familiares que convivem com estes pacientes, então, os profissionais de saúde têm um grande potencial para identificar e notificar esse tipo de violência para que a rede de saúde pública consiga realizar um melhor monitoramento e desenvolver uma linha de cuidado aprimorada para essas pessoas”, destacou.

A violência contra a pessoa idosa engloba agressões interpessoais (praticadas por terceiros) e autoprovocadas (autoinfligidas pela própria vítima), e registrou um crescimento no número de casos em Sergipe na última década. Entre 2014 e 2025, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde registrou cerca de 1.900 episódios de violência contra idosos no estado. Em 2014, o número foi de 67 casos, enquanto em 2025, esse total foi para 318, demonstrando um aumento da violência, mas também na identificação e notificação desses episódios por parte dos profissionais de saúde.

Participação social

A oficina contou com a parceria do Núcleo de Pesquisa e Ações da Terceira Idade (Nupati) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a participação de pessoas idosas, profissionais de saúde e estudantes do último ano de graduação dos cursos da área da Saúde da UFS. Para a integrante do Nupati, Maria Vilma Bezerra, de 66 anos, é fundamental levar o debate sobre a violência contra a pessoa idosa para a sociedade. “Esse é um tema que é pouco falado e debatido, então é fundamental que oficinas como essa aconteçam, porque, nós, idosos, somos muitos e precisamos desse acompanhamento da sociedade. A violência contra a pessoa idosa acontece diariamente, então precisamos falar mais disso”, ressaltou.

A estudante de Enfermagem da UFS, Jamile dos Santos, reforçou a importância da oficina para os futuros profissionais de saúde, como ela. “Como estudantes, ter acesso a essas informações é fundamental para nossa formação, pois nos prepara para identificar situações de vulnerabilidade e diferentes tipos de violência contra a pessoa idosa. Muitas vezes, associamos violência apenas à agressão física, mas existem outras formas que também precisam ser reconhecidas, para que possamos notificar corretamente e atuar da melhor maneira diante de cada caso”, pontuou. 

Violência contra a pessoa idosa

A violência contra a pessoa idosa pode ser física, psicológica, sexual, financeira ou patrimonial, por negligência e abandono. Os profissionais de saúde são instruídos a identificar e notificar os casos da melhor forma, observando sinais físicos, de negligência e mudanças comportamentais. 

A rede de proteção para combate deste tipo de violência conta com canais de denúncia e suporte, como o Disque 100; Centros de Referência de Assistência Social (Cras); Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas); Delegacias de Polícia e de Atendimentos a Grupos Vulneráveis (DAGV); Ministério Público; Conselhos de Direito da Pessoa Idosa e equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Lembrando que a sociedade tem um papel essencial na proteção à pessoa idosa, uma vez que é através da conscientização e da ação coletiva que podemos garantir que os direitos desse público sejam respeitados.

Fotos: Felipe Goettenauer

Publicado: 17 de junho de 2026, 15:35 | Atualizado: 17 de junho de 2026, 15:35