Psicólogos do Huse são essenciais durante o tratamento hospitalar

Eles contribuem para minimizar o sofrimento dos pacientes e familiares fazendo com que eles tenham uma melhor adaptação durante a hospitalização

A atuação do psicólogo no contexto hospitalar não se refere apenas à atenção direta ao paciente, refere-se também a atenção que é dispensada à família e à equipe de saúde, dentro de sua atuação profissional. Enfrentar um processo de adoecimento, sair do conforto e aconchego do seu lar, enfrentar a hospitalização, tratamento, rotinas e hábitos diários, entre outros fatores, não é tarefa fácil para o paciente, muito menos o seu acompanhante que vive junto com ele essa experiência. É durante esse processo que o trabalho de um psicólogo é fundamental para o acolhimento.

No dia em que é celebrado o Dia do Psicólogo, alguns desses profissionais que atuam no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), destacam os trabalhos de atuação desenvolvidos na unidade e que beneficiam pacientes e acompanhantes. O objetivo é diminuir a angústia e ansiedade presentes no momento da internação, buscando um alívio emocional.

O Pronto Socorro é a porta de entrada dos mais diversos casos de urgência e emergência do Huse. É lá onde os psicólogos atuam de forma fundamental para avaliar como a doença é compreendida pelo paciente e as fantasias presentes no momento do adoecimento. A psicóloga do Huse, Keysin Blohem, atua no Pronto Socorro Adulto com outros profissionais da área e faz um trabalho de psicologia hospitalar, minimizando o sofrimento dos pacientes e fazendo com que eles tenham uma melhor adaptação durante a hospitalização.

“A gente atende pacientes oncológicos da vascular e que muitas vezes vão passar por amputação e a gente faz essa preparação, principalmente quando eles sabem que vão perder um membro, pois ficam muito fragilizados. Então, a gente atende todo tipo de paciente aqui no Pronto Socorro com esse objetivo de fazer com que eles diminuam esse sofrimento causado pelas angústiass que envolvem o adoecimento como medo de morte, entre outras. Eles se sentem mais acolhidos, diminuem a ansiedade”, explicou a psicóloga.

Oncologia

Quando uma pessoa recebe um diagnóstico de uma doença como o câncer, o enfrentamento é ainda mais complicado e doloroso tanto para o paciente quanto para o seu familiar. Muitos aceitam e enfrentam o tratamento, mas outros não têm a mesma compreensão e acabam entrando até em depressão. É nessa hora que, além do tratamento médico, o acolhimento psicológico faz toda a diferença na vida dessas pessoas.

Pensando nisso, foi criado no Centro de Oncologia do Huse o “Grupo Primeira vez em Psicologia”, com o objetivo de acolher o paciente que se depara nessa situação pela primeira vez. De acordo com a psicóloga do ambulatório de Oncologia do Huse, Ana Paula dos Santos, o grupo recebeu esse nome por ser o primeiro contato do paciente com os profissionais da psicologia durante o tratamento oncológico.

“O objetivo é acolher o paciente que chega pela primeira vez na oncologia. Geralmente temos uma boa recepção, eles gostam muito, chegam cheios de dúvidas, algumas a gente já responde e outras a gente encaminha, observa o paciente e vê se tem demanda para a psicologia ou outros profissionais e a gente faz as orientações gerais de como lidar com a doença, com o tratamento, nas relações com o outro e com o próprio paciente”, explicou.

A participação da família é fundamental na recuperação dos pacientes. Ela também sofre com a situação e necessita do apoio psicológico. Os encontros acontecem todas as quartas-feiras, no máximo seis pacientes participam de cada encontro. Durante as conversas, o medo está sempre presente e relacionado com a doença. Medo de perder o cabelo, medo do tratamento, medo de afastar quem está próximo e principalmente o medo de morrer. É nessa hora que a psicologia tem um papel importante no suporte emocional do paciente.

Já a visita domiciliar é para os pacientes oncológicos mediante a solicitação do médico oncologista assistente. Geralmente são pacientes idosos, mas todos têm em comum a gravidade da doença e a dificuldade de locomoção. Os pacientes são atendidos na residência por uma equipe multidisciplinar de Cuidados Paliativos, conforme preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante as visitas, a médica avalia o paciente, prescreve medicamentos, orienta a família quanto aos cuidados. O psicólogo aborda os familiares e também o paciente para que se sintam mais acolhidos.

CTI Pediátrica

Na CTI Pediátrica os psicólogos atuam com o Projeto “Cantando Histórias”, um paralelo entre a psicologia e a música. O psicólogo da Ala D do Huse, Pedro César do Prado, leva violão e faz uma parceria de alegria e interação com os acompanhantes das crianças internadas na unidade crítica. São músicas e temáticas próprias do atendimento da espera, da ansiedade, da dificuldade, da ajuda, da cooperação, do poder da comunicação e do fator lúdico.

“Nós já temos esse trabalho inserido em alguns outros projetos dentro do hospital como o “Rodas da Vida” e muitas vezes o paciente também participa, os que estão em mais condição. A ideia é facilitar a comunicação de quem estiver participando, fazer com que a pessoa se emocione e fale coisas boas, diferenciadas e entre num estado mais relaxado para poder ter melhores ideias para resolver problemas que até então não tinha solução”, explicou o psicólogo.

Para a psicóloga da CTI Pediátrica, Carmem Cecília Tavares, os encontros são sempre gratificantes. Ela é fundadora do projeto “ConheSer”, uma iniciativa que está levando conhecimento, autoconhecimento e o autocrescimento para os acompanhantes que muitas vezes estão angustiados por causa da internação dos filhos. No último encontro, a psicóloga desenvolveu uma oficina para confecção de dedoches (fantoches de dedos).

“Cada familiar confeccionou três dedoches para seus filhos que estavam internados na CTI pediátrica. Eu já trago o corpinho, o bracinho, a cabecinha, os olhinhos, os cabelos tudo prontinho e cortado para que eles montem do gosto deles. Depois que montaram fizeram as roupinhas com tecidos variados. Tem uma mãe que gosta muito de arrumar a criança e ela fez um vestido de bailarina para o dedoche da filhinha”, explicou Carmem Cecília.

Foto: Valter Sobrinho ASCOM SES

 

Publicado: 27 de agosto de 2019, 16:03 | Atualizado: 27 de agosto de 2019, 16:03