Outubro Rosa: Tele-educação apresenta tema sobre Saúde da Mulher

Por Ítalo Duarte

 

Transmitido diretamente da Fundação Estadual de Saúde (Funesa), a Tele-educação da última quinta-feira, dia 27, tratou da atenção integral à Saúde da Mulher, como registro do mês temático Outubro Rosa, no qual se intensificam campanhas voltadas para esse tema, em especial ao câncer de mama. Como oferta periódica promovida pelo Núcleo de Telessaúde de Sergipe, as webpalestras dos médicos José Almir Santana e Carlos Anselmo Lima e do nutricionista Ronaldo Cruz foram mediadas pela representante da Coordenação Estadual do Programa Saúde da Mulher, Kátia Solange Andrade Valença.

 

Quem abriu a rodada de palestras foi Ronaldo Cruz, referência técnica de Alimentação e Nutrição da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Ele explanou principalmente sobre os cuidados que se deve tomar para ter uma alimentação saudável, fator preponderante para se ter boa saúde e se prevenir do câncer de mama e de colo do útero. Segundo Cruz, “a alimentação deve estar de acordo com cada fase do curso da vida”. Além do mais, “ela tem de estar acessível do ponto de vista físico e financeiro”.

 

Cruz também listou uma série de deveres aconselhados pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, destacando os “Dez Passos para uma Alimentação Saudável”. Uma das medidas para a promoção de uma alimentação adequada e saudável é consumir alimentos minimamente processados e evitar alimentos como refrigerante, pipoca de micro-ondas, macarrão instantâneo entre outros.

 

Já o médico Almir Santana, que coordena o Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids), da SES, alertou para outro fator que põe em risco a saúde da mulher. “Boa parte da população está fazendo uma escolha perigosa: ter relações sexuais sem o uso da camisinha”, pontuou. De acordo com o médico, muitas mulheres casadas não têm essa percepção de vulnerabilidade.

 

Durante sua participação, Almir também deu grande destaque ao HPV. Ele fez questão de frisar que o vírus é um grande problema de saúde pública atualmente, já que mais de 300 milhões de mulheres devem ter o HPV e não sabem. A gravidade do Papilomavírus Humano está em sua associação ao câncer de colo do útero.

 

Segundo ele, alguns fatores que preocupam são a iniciação sexual cada vez mais cedo, a grande quantidade de parceiros sexuais durante a vida e a diminuição do uso do preservativo. “Hoje existe a vacina contra o HPV para meninas a partir dos nove anos. Ano que vem teremos a vacina também para os meninos. Para as adultas, existe o exame papanicolau e o uso do preservativo masculino ou feminino”, informou.

 

Os casos de câncer de colo uterino estão diminuindo, segundo dados apresentados pelo cirurgião mastologista do Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), Carlos Anselmo. A taxa estimativa para este ano é de 40 casos de câncer de colo do útero e 210 de câncer de mama, apenas na capital sergipana.

 

Anselmo reforçou que o HPV é o principal responsável, através do contato sexual, pela incidência de câncer de colo uterino, mas não descartou o tabagismo e a fraqueza imunológica como fatores preponderantes. De acordo com ele, mulheres com vida sexual entre 25 e 64 anos devem fazer o exame papanicolau, que pode ser realizado a cada três anos, sendo que os dois primeiros devem ser anuais.

 

No mês de campanha contra o câncer de mama, o médico mostrou preocupação em relação a um dado alarmante. “O câncer de mama está em primeiro lugar nos casos de câncer em mulheres”, ilustrou. Segundo Anselmo, a mulher tem cem vezes mais chances de contrair o câncer que o homem.

 

Os riscos são clínicos e genéticos. “O risco familiar é maior quando parentes de primeiro grau já tiveram câncer de mama, e ainda mais quando jovens”, informou. De acordo com Anselmo, é importante a realização da mamografia a partir dos 50 anos para um diagnóstico precoce do câncer e o aumento das chances de cura, mas, mais ainda, é importante prevenir fazendo atividades físicas, tendo uma alimentação saudável, indo ao médico regularmente, diminuindo o consumo de álcool e de gordura e realizando o autoexame e o exame médico periódico.

 

Participação

 

Dez pontos do Telessaúde Sergipe acompanharam a ação da última quinta em todo o Estado. Além da Secretaria de Estado da Saúde, Conselho Estadual de Saúde e Universidade Federal de Sergipe, os municípios de Areia Branca, Capela, Nossa Senhora Aparecida, Pacatuba, Salgado, Santana do São Francisco e Siriri também participaram da transmissão, inclusive com o envio de dúvidas e perguntas aos palestrantes.

 

A coordenadora do programa no Estado, Eneida Ferreira, destacou a grande importância do Telessaúde para o fomento de conhecimento em saúde pública em Sergipe. “A Educação Permanente em Saúde é fundamental para provocar a reflexão acerca dos processos e cuidados em saúde e trazer à tona o debate sobre a alimentação saudável e cuidados para a prevenção de doenças mais prevalentes nas mulheres”, disse.

 

A mediadora desta ação da Tele-educação classificou como muito positiva a transmissão. “Achei muito válida. Falamos não só sobre o câncer de mama, dando visibilidade ao Outubro Rosa, uma campanha desenvolvida internacionalmente, mas trabalhamos a atenção ao cuidado integral à saúde da mulher”, avaliou Kátia.

 

Publicado: 28 de outubro de 2016, 16:30 | Atualizado: 28 de outubro de 2016, 16:30