Icterícia Neonatal afeta cerca de 60% dos recém-nascidos
Você já ouviu falar em Icterícia Neonatal? Uma das patologias mais frequentes do recém-nascido, sobretudo, os prematuros, é definida como coloração amarelada da pele e das escleróticas em decorrência do aumento sanguíneo da bilirrubina, afeta cerca 60% dos bebês da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). A médica Klebiana Santos Gomes de Barros, neonatologista e pediatra da maternidade fala sobre a Icterícia.
“É um acontecimento que assusta as mães da MNSL, já que a unidade é de alta complexidade e tem um perfil de grande quantidade de bebês prematuros e por isso tem essa porcentagem de bebês com icterícia. Na maternidade, há uma média semanal de três novos casos que são atendidos na Ala Azul. Ela pode ser fisiológica ou patológica. É fisiológica, quando ocorre após 24 horas de vida. Já a patológica acontece quando inicia antes das 24horas, que seria uma icterícia precoce. Na MNSL, fazemos avaliação clínica no bebê e a depender do resultado, pedimos exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico com essa abordagem”, explica Klebiana Santos.
A médica atentou que a MNSL possui um índice maior de icterícia porque trabalha com muitos prematuros. “A doença tem uma resolução muito boa com a fototerapia, poucos casos precisamos intervir de forma mais agressiva. Ela lembrou que a doença se manifesta prelo excesso de bilirrubina no sangue, que é processada pelos glóbulos vermelhos. No caso de crianças com a pele mais escura devem-se observar os olhos ou as gengivas se estão amareladas”.
Sinais e sintomas
A icterícia é uma condição que pode aparecer repentinamente ou desenvolver-se lentamente com o tempo. Os principais sinais e sintomas costumam incluir pele amarelada, a parte branca do olho amarela, cor amarela na parte de dentro da boca. Os recém-nascidos tendem a ter níveis de bilirrubina mais elevados porque seu fígado ainda não consegue metabolizar o excesso da substância.
A médica observou que níveis elevados de bilirrubina podem provocar toxicidade no sistema nervoso central, conduzindo a morte celular e nervosa, e o quadro Kernicterus que leva o recém-nascido à convulsão com possíveis danos neurológicos. “Um dos fatores de risco para a icterícia é a prematuridade, que 80% dos bebês evoluem para a coloração amarelada. Outro fator, abordado é a incompatibilidade do sangue da mãe e do recém-nascido. A icterícia é detectada através do exame de sangue.
Klebiana explicou, também, que recém-nascidos podem apresentar a icterícia como algo fisiológico (normal), quando acontece após 24 horas de vida, ou seja, entre segundo e terceiro dias de vida e vão melhorando entre o quinto e sétimo dias de vida. Caso essas características não sejam seguidas, doenças deverão ser pesquisadas a fim de se identificar a causa. “A icterícia na maioria das vezes é sinal de algum problema no fígado, algo fisiológico. O bebê quando nasce possui células do sangue da mãe, o que faz a criança ter quantidades de células vermelhas adequadas ao tamanho dela, quando elas são destruídas em grande abundância, a cor amarela começa a aparecer.
“Isso tem relação com o ferro em quantidade excessiva e pode causar deficiência, retardo ou alterações cerebrais”, comentou a psiquiatra Ana Salmeron. Ela ressaltou que a icterícia não é doença em si, mas a manifestação visível de alguma doença subjacente. Alguns bebês apresentam diagnóstico de icterícia ainda na maternidade, antes da alta hospitalar, a parturiente Claudinice Sousa Santos, de 34 anos de idade é mãe de Jeferson Cauê. Está internada na ‘Lourdinha’ e teve o pequeno na maternidade de alto risco já que apresentou diabetes gestacional.
Tratamento
A fototerapia é o tratamento mais indicado, mas só se a icterícia não regredir espontaneamente. Popularmente conhecida como banho de luz, a técnica expõe a criança à luminosidade emitida por lâmpadas específicas, que atinge diretamente a estrutura do pigmento, diluindo-o e eliminando-o.
A psicóloga da Ala Azul da MNSL, Kátia Cristina de Santana, comentou que a paciente Edleine Souza, está bem emocionalmente, que teve apoio de seus familiares no tratamento do câncer de mama, o que nesses casos é muito importante. “Nem sempre acontece desse jeito, mas tudo dependerá de uma rede de apoio, família e equipe multidisciplinar”, alertou Kátia.
Publicado: 24 de julho de 2019, 12:55 | Atualizado: 24 de julho de 2019, 12:55