HPV: baixa procura por vacina motiva ampliação de público-alvo

Com a decisão do Ministério da Saúde (MS) de ampliar a oferta da vacina contra HPV para meninos com idade entre 11 e 14 anos, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) pretende intensificar ações para o alcance não somente deste público, mas também do feminino, que mantém a faixa etária de 9 a 14 anos para recebimento das duas doses.

 

De acordo com o coordenador do Programa Estadual de IST/Aids, o médico Almir Santana, Sergipe está abaixo da meta de vacinação estabelecida pelo MS, que pretende alcançar 80% do público alvo. Aqui no estado somente 30% dessa população foi vacinada contra o HPV. “Temos duas preocupações. A primeira referente aos meninos que tomaram a primeira dose da vacina e não tomaram a segunda, considerando que o intervalo entre as doses é sempre de seis meses. Outra preocupação é a consequente redução de procura pela segunda dose em função dos baixos resultados já apresentados na primeira. Esse cenário que é nacional, por sua vez, inspira a execução de ações articuladas”, declarou Almir Santana.

 

Para estimular a adesão dos meninos e meninas à vacina contra HPV, a SES estará fortalecendo parcerias com as secretarias de Estado da Educação (Seed) e municipais da Educação, em escolas particulares e em sindicatos dos diretores das escolas particulares. Segundo Almir Santana, não se trata de uma campanha de imunização. A aplicação das doses é uma ação contínua que visa a prevenção precoce do câncer de colo de útero e de verrugas genitais em meninas. No caso dos meninos, visa a prevenção do câncer de pênis e das verrugas genitais.

 

“A vacina é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro mutações do vírus – dois que causam as verrugas e outros dois que causam câncer. Um dado importante é que, cientificamente, nas faixas etárias em questão há maior produção de anticorpos, o que facilita a prevenção, daí a necessidade de professores e diretores discutirem esse assunto em sala de aula, e de pais ou responsáveis conduzirem seus filhos a Unidade Básica de Saúde [UBS] mais próxima de suas residências para que os mesmos recebam as doses da vacina”, acrescentou o coordenador do Programa Estadual de IST/Aids.

 

Ainda segundo Almir Santana, jovens homens ou mulheres soro positivos, com idade entre 9 e 26 anos, precisam receber três doses da vacina, também com intervalo de seis meses entre as aplicações. Caso o público em geral não atinja as metas de vacinação estabelecidas pelo MS pode haver, futuramente, maior incidência de casos de câncer de colo de útero e de pênis.

 

“Nas palestras ministradas pela Coordenação Estadual de IST/Aids já tratamos do assunto, mas em função da baixa procura pela vacina estaremos realizando ações específicas nas diversas Regionais da Educação, repassando materiais informativos ou até mesmo conduzindo esse público alvo às UBS. De forma contrária, estaremos levando profissionais da saúde para as escolas, a fim de dinamizar a aplicação da vacina”, garantiu o coordenador, que mantém ações articuladas com o Programa Estadual de Imunização da SES.

Publicado: 27 de junho de 2017, 13:39 | Atualizado: 27 de junho de 2017, 13:39