Curso de atendimento ao paciente queimado é realizado no Huse

Qualificar o atendimento. Foi com essa intenção que profissionais da área da saúde e acadêmicos de enfermagem participaram de mais uma edição do Curso de Atendimento ao Paciente Queimado 2017, realizado na terça-feira, 6, no auditório do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A partir dessa qualificação, os profissionais estarão aprimorados e atualizados para oferecer uma melhor assistência e acolhimento ao paciente.

 

O curso recebeu aproximadamente 200 profissionais de saúde que atuam no hospital, nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Hospitais Regionais, salas de estabilização das Clínicas de Saúde da Família 24 horas, entre outras unidades, além de acadêmicos em enfermagem que debateram sobre temas importantes para o melhor tratamento aos pacientes queimados.

 

A programação foi totalmente voltada para o tratamento do paciente vítima de queimaduras e abordou temas que vão desde o conceito básico, atendimento inicial, critérios de encaminhamento, atendimento pré hospitalar, transporte do paciente queimado, cuidados clínicos, queimaduras em crianças, curativos até o planejamento do Huse e estrutura da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ-Huse) para o período junino.

 

Informações

 

A referência técnica da cirurgia plástica no Huse, Moema Santana, destacou sobre a importância em preparar os profissionais para saber diferenciar o médio e o grande queimado, além do seu local de atendimento. “É importante que esses profissionais, principalmente dos hospitais regionais saibam como agir nesses casos e para onde encaminhar. Saber o que fica no município e o que vem para o Huse que é grande queimado”, explicou.

 

A médica da UTQ, Vanderlania Diniz, ressaltou que cerca de 75% da mortalidade dos pacientes vítimas de queimaduras é causado por complicações e manejo clínico. “A partir do momento que ele entra na UTQ, a gente vai avaliar principalmente a hidratação que foi feita durante os primeiros atendimentos, seja no SAMU, no trauma ou na Área Vermelha, daí a gente vai avaliar o estado volêmico do paciente, baseando sempre na diurese pra daí compensar clinicamente esse paciente. É importante para eles entenderem que a repercussão da queimadura é sistêmica e há complicações muito além do que a visão está vendo, as vezes a queimadura é pequena, mas ele está descompensando e se não houver um tratamento precoce e urgente a gente vai sofrer na UTQ com essas repercussões negativas”.

 

O coordenador da UTQ do Huse, Bruno Cintra, destacou a importância do curativo em um paciente vítima de queimadura. “É importante saber que para falar em curativo é necessário lembrar-se do que é ferida. Primeiramente é importante tratar a ferida para depois pensar no tipo de curativo que será utilizado. Curativo é um meio que consiste na limpeza e variam de acordo com as tradições que a gente vive. O que a gente está discutindo hoje aqui no curso são os curativos tradicionais”, enfatizou.

 

O acadêmico de medicina na Universidade Federal de Sergipe, Diego Oliveira, participou do curso e destacou a importância dele para os profissionais e estudantes. “É um curso que vem acrescentar muito para a comunidade acadêmica, tanto de medicina, quanto de enfermagem, da área de saúde em geral, porque vai incrementar mais ainda o nosso conhecimento”, comentou.

 

A técnica de enfermagem da UTQ, Márcia Cristina Menezes, ressaltou a necessidade do curso. “É bom porque está qualificando não só os profissionais do Huse, como os profissionais dos Hospitais Regionais, explicando como agir ao receber um paciente queimado nessa época. É necessário esse curso porque a maioria dos profissionais não tem uma qualificação para queimados e quando você é capacitado, tem como dar o melhor atendimento”, explicou.

 

A auxiliar de enfermagem no Hospital Regional de Propriá, Elisângela Alves, disse que identificar o grau e o fluxo da queimadura é muito importante. “Aprender é sempre muito bom e esse curso é muito importante para identificar o grau da queimadura e o fluxo que nessa época sempre aumenta. A gente vai saber como agir e para onde encaminhar se for muito grave. As pessoas precisam se conscientizar que os fogos trazem consequências para quem não sabe utilizar”, concluiu.

 

Estrutura

 

Profissionais da UTQ do Huse, unidade considerada como referência para o atendimento de queimados, apresentaram a estrutura elaborada para atender a demanda de pacientes durante o período junino. O diretor técnico do Huse e cirurgião plástico, Ricardo Araújo, falou sobre a preparação do hospital para receber pacientes vítimas de queimaduras no período junino.

 

“Todos os anos é preparada uma sala especializada para tratamento do queimado com equipes especializadas para realizar curativos nos pacientes. Nos dias críticos (23 e 24, 28 e 29) teremos o dobro da quantidade de cirurgiões plásticos para atender os pacientes. Além disso, a UTQ disponibilizará macas fixas e móveis para atendimento mais rápido possível do paciente e material de curativos, insumos. Ativaremos a Ala D, caso a UTQ venha superlotar. Dispomos de uma equipe multidisciplinar que presta toda a assistência ao paciente e familiares”, disse.

 

A gerente da UTQ, Elmara Salgado, disse que a estrutura montada na unidade para receber as vítimas de queimaduras ficará montada até o final do período junino. “A estrutura da UTQ é formada por 14 leitos, sendo 4 pediátricos, 2 semi intensivos e 8 para adultos, além de um centro cirúrgico para realização de curativos e pequenos procedimentos”, enfatizou.

 

Incidência de acidentes

 

Os municípios sergipanos com maior incidência em vítimas de queimaduras são: Nossa Senhora do Socorro, São Cristovão, Estância, Lagarto e Itabaiana. Já em Aracaju, os pacientes queimados que são atendidos no Pronto Socorro do Huse, vítimas de queimaduras são oriundos dos bairros: Santos Dumont, Santa Maria, Siqueira Campos, Bugio, Olaria e Lamarão.

Publicado: 7 de junho de 2017, 13:49 | Atualizado: 7 de junho de 2017, 13:49