Ambulatório de Follow Up da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes garante assistência continuada aos bebês prematuros

Por Júnior Matos

Fotos: Júnior Matos

Acompanhar o crescimento e o desenvolvimento do bebê prematuro de alto risco e que nasceu na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL). Esse é o objetivo do Ambulatório de Follow Up, setor instalado no antigo prédio da Maternidade Hildete Falcão Batista, administrado pela Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Somente no mês de janeiro, foram 914 atendimentos nas mais diversas especialidades.

No ano passado, o Ambulatório registrou 11.696.atendimentos. Entre os procedimentos mais procurados, foram 3.313 consultas de neonatologia, 3.013 consultas com fisioterapeutas, 1.054 mapeamentos de retina, entre outros.

O Follow Up trabalha no âmbito Política de Humanização Perinatal (assistência materno-infantil) e garante mais qualidade de vida aos bebês através dos tratamentos médicos. O serviço conta com o auxílio de assistentes sociais e orientações para mães sobre como devem cuidar do recém nascido até os dois primeiros anos de vida.

“A equipe multidisciplinar é composta por médicos neonatologistas, oftamologistas e neuropediatras, além de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. O setor trabalha no regime de ‘Porta Aberta’, como é que preconizado pelo Ministério da Saúde (MS)”, explica a gerente do Ambulatório de Follow Up, Magda Dórea

O espaço também incentiva a manutenção da rede social de apoio, corrigindo as situações de risco que o bebê possa estar passando como ganho inadequado de peso, sinais de refluxo, infecção e apneias. As profissionais também orientam e acompanham tratamentos especializados, além do esquema adequado de imunizações.

A gerente explica ainda que, para ter acesso ao Ambulatório, os bebês assistidos pelo “Método Canguru” têm a preferência porque as mães já têm mais conhecimento do funcionamento do processo. Entretanto, qualquer mãe que teve o parto realizado na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes procurar o serviço.

“Os bebês recebem assistência continuada do Follow Up assim que recebem alta hospitalar da MNSL. No setor são realizadas as primeiras consultas com a pediatria. Caso tenha necessidade, o bebê pode ser encaminhado novamente para a maternidade. Mas, quando o bebê não apresenta intercorrências, ele continua com o processo onde será acompanhado até os dois anos de idade”, explicou Magdá Dórea.

Para Adriana Gomes, o Ambulatório de Follow Up vem sendo importante para o desenvolvimento da filha Melissa, que nasceu de forma prematura na MNSL.

“Os profissionais são dedicados e maravilhosos. Agora, minha filha vem recebendo assistência da fisioterapia e é notório observar o quanto ela está desenvolvendo”, declarou.

Assistência aos bebês com microcefalia

Os bebês que nasceram na MNSL e foram diagnosticados com microcefalia continuam sendo acompanhados pelo Follow Up. Ao todo, são 2344 crianças cadastradas no serviço. Deste total, 41 são portadoras de microcefalia.

De acordo com a literatura médica, diversos fatores podem provocar microcefalia no recém-nascido, entre eles: ingestão de bebidas alcoólicas e drogas pela mãe, infecções como HIV, sífilis, toxoplasmose ou doenças genéticas. Se durante os exames todos esses fatores forem descartados, abre-se a hipótese da contaminação pelo Zíka vírus.

“A má formação congênita pode levar diversas consequências para o bebê: déficit intelectual, atraso das funções motoras e de fala, distorções faciais, nanismo ou baixa estatura, dificuldades de coordenação e equilíbrio, alterações neurológicas, hiperatividade e epilepsia”, explica o obstetra e superintendente da MNSL, Luís Eduardo Correia.

O gestor destaca, ainda, que “é importante que as mães sigam as recomendações dos profissionais: não consumir álcool durante a gravidez, nem fazer a utilização de medicamentos sem a orientação médica. Alguns podem interferir na formação fetal”.

Serviço de Fonoaudiologia

Outro importante serviço ofertado no ambulatório de Follow UP é de fonoaudiologia. “Os bebês prematuros e com alguma patologia, a exemplo da microcefalia, ficam muito tempo nas UTI neonatais. Isso dificulta o processo de se alimentar (principalmente durante o processo de transição alimentar). O nosso foco é auxiliar para que este processo aconteça da melhor maneira possível”, declarou a fonoaudióloga Eloísa Domindes.

O garoto João Guilherme é portador da microcefalia e vem sendo acompanhado pela fonoaudiologia no Follow Up. “Desde que iniciou o tratamento no mês passado, percebemos que ele vem se alimentando melhor. Com isso, conseguiu ganhar mais peso e ficar mais forte e saudável”, falou a mamãe Manuela Menezes.

Publicado: 9 de fevereiro de 2017, 16:33 | Atualizado: 9 de fevereiro de 2017, 16:33