Agosto Dourado: SES realiza II Seminário sobre Aleitamento Materno

Na manhã desta quinta-feira, 1º, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) deu início às comemorações do Agosto Dourado, mês dedicado à intensificação das ações de promoção, proteção e apoio à amamentação, com a realização do II Seminário Estadual do Aleitamento Materno, realizado no auditório do Centro Administrativo da Saúde (CAS). O evento contou com a presença de representantes da Sociedade Sergipana de Pediatria, das maternidades e bancos de leite da Rede Estadual, da Atenção Primária, da Rede Especializada e Hospitalar, além das Doulas do parto e da amamentação dos serviços públicos e privados.

De acordo com a coordenadora da Rede Materno Infantil da SES, Helga Muller Mengel, a novidade deste ano está no olhar especial para a área da Saúde do Homem, que tem como objetivo colocar o pai no cenário do aleitamento materno, como apoio para a mulher que amamenta. “É preciso mobilizar toda a sociedade para este momento tão importante colocando Sergipe no cenário nacional e internacional da amamentação, prática que diminui a mortalidade infantil e garante uma vida melhor”, concluiu Helga.

Para o psicólogo e referência Técnica para a Saúde do Homem da SES, Demétrio Sérgio dos Reis, os benefícios da presença do pai no pré-natal, durante o parto e após, são muitos. “Pesquisas e relatos de pessoas indicam que a presença do pai no processo promove o bem-estar de toda a família, não só da mulher. Traz tranquilidade, conforto, segurança, estabilidade emocional e psicológica, também para o bebê, que será apresentado ao pai pela mãe, favorecendo o fortalecimento dos laços afetivos”.

O psicólogo reforça, ainda, que é importante a Saúde do Homem estar presente nessas ações para desmistificar que a gestação, o momento do parto e a amamentação, não sejam ambientes em que o homem não possa estar. “O sucesso do aleitamento materno não depende apenas do seio, mas de todo um conjunto desses recursos humanos que vão favorecer que a mulher se sinta mais tranquila, apoiada, confortável, um bem-estar que colabora na produção de hormônios que ajudam na produção do leite”, comentou Demétrio.

Já a Presidente da Sociedade Sergipana de Pediatria, Ana Jovina Barreto Bispo, destacou que a função primordial do Seminário não está em, apenas, mostrar os benefícios da amamentação, mas sim fazer com que aconteça de fato o aleitamento materno.

“O aleitamento materno é uma paixão da Sociedade, é uma paixão particular minha, e fico muito feliz em ver esse auditório cheio. Os benefícios do aleitamento materno são muito claros, todo mundo conhece, a gente sabe que é bom para o bebê, é bom para a mãe, para a sociedade, que é bom para o eco sistema, então, eu acredito que o que importa para nós, como profissionais da saúde, pessoas que lidam com o aleitamento materno, é o que a gente vai fazer para promover, para aumentar, e espero que todo mundo que está aqui saia com essa missão de fazer um pouquinho mais para promover e fortalecer o aleitamento materno”, comentou Ana Jovina

A gerente do Banco de Leite Marly Sarney, Magda Solange Dória Vieira, frisou que uma mãe doadora de leite pode salvar a vida de 10 bebês prematuros, porém, o abastecimento está baixo. Atualmente, o Banco conta com 16 doadoras quando a necessidade é de 100.  “Um prematuro recebe de 5 a 10 ml por horário e uma mãe que fornece 700 ml de doação vai salvar muitas crianças dentro de uma UTI e a prioridade da Rede de Bancos é para as crianças que nascem com menos de 1,5kg. Então, precisamos do aleitamento materno para evitar mortes, evitar que as crianças adoeçam, e a gente só consegue isso com o melhor alimento do mundo, o leite materno”.

No município de Lagarto, conforme conta a coordenadora do Banco de Leite na Maternidade Zacarias Junior, Zoedy Bitencourt de Andrade Oliveira, o número de doadoras é sazonal. “Estamos contando com o apoio do município vizinho, Simão Dias, parceria que nos dá um respaldo muito grande. Tobias Barreto também colabora com a coleta e nós temos um ambulatório de amamentação que detecta possíveis doadoras, então, para o nosso consumo nunca faltou, é sempre suficiente”.

Quanto à realização do Seminário, Zoedy acrescenta que é de estrema importância para a divulgação do trabalho de aleitamento materno. “Aqui se lança a semente para ser jogada lá na Atenção Básica, porque eu acho que a gente tem que vir de lá, do pré-natal, para que essas mães sejam orientadas lá, para que quando chegarem na maternidade elas já tenham uma noção, o que facilita o nosso trabalho e, também, serão estimuladas a serem doadoras. Isso aqui é de estrema necessidade mesmo, mais do que importante, é necessário falar do assunto”.

O Banco de Leite Irmã Rafaella Pepel de Itabaiana existe há 15 anos e, conforme informação da coordenadora Sandra Rafaela de Oliveira Lapa, possui 200 doadoras e a produção média é de 400 a 420 litros de leite por mês. “Nós temos um ambulatório pós-natal que ajuda muito na capitação dessas doadoras e boa parte da nossa produção estamos enviando para a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes e para o Santa Izabel. Graças a Deus temos um volume que está dando para ajudar todo mundo. Quanto ao Seminário é um marco, a gente nunca teve uma fase tão boa como essa em relação à promoção do aleitamento materno, é um período em que as pessoas estão começando a acreditar que o aleitamento materno é o que vai salvar o mundo, que melhora a vida da criança, diminui custos, tanto para a família, quanto para a sociedade. A cultura está mudando, principalmente em relação à família, apoio que é fundamental”.

A Doula da Amamentação e Psicóloga Tamyres Lima Santos colabora como apoio à amamentação nas maternidades. “A gente dá orientação e acompanha toda a parte do primeiro momento da amamentação. Ajudamos com a questão de massagem, vemos se tem alguma fissura, apoiando esse manejo inicial mesmo. Observamos se há mulheres que possam ser doadoras, aquelas que têm baixa produção, sempre em contato com a equipe técnica. A importância do evento é justamente a divulgação e a afirmação da importância da amamentação, não só para a questão física, como a saúde da criança, prevenção de doenças na mulher ao longo da vida, mas também para o vínculo mãe e bebê que começa agora e é para o resto da vida”.

Diego Silveira Costa de Oliveira, advogado, engenheiro eletricista e pai, participou de todo o processo da gestação, parto e amamentação de sua filha, hoje com 2 anos e 3 meses, e comentou que se sentiu emocionado. “À medida que a gente se envolve com o processo, quando nos conectamos a ele, somos tão mãe, sendo pai, quanto a mãe, o sentimento é igual. Quando vivenciamos muito de perto, é muito forte, tanto que a mãe diz ‘a parte materna é Diego quem faz’, ela brinca com isso. Então tudo é questão de conexão e afetividade. Fortalece muito os vínculos. Costumo falar que apesar das minhas formações acadêmicas e profissionais o que mais mudou a minha personalidade, o meu jeito de viver, foi ser pai”, concluiu Diego.

Publicado: 1 de agosto de 2019, 14:17 | Atualizado: 1 de agosto de 2019, 14:17