Estimulação precoce: ações práticas e essenciais para crianças com deficiência
Todo o desenvolvimento neuropsicomotor da criança com Síndrome de Down, microcefalia ou paralisia cerebral está na fase do crescimento, dos primeiros dias de vida até os três anos de idade, portanto torna-se necessária a estimulação precoce. O termo abrange uma variedade de estímulos que serve para auxiliar o desenvolvimento motor e cognitivo de lactentes e crianças. A estimulação precoce deve acontecer com acompanhamento e tratamento multiprofissional para recém-nascidos de risco ou com alguma deficiência. No entanto, segundo a Área Técnica da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Alynne França, é primordial que a família esteja inserida nesse processo.
“Em muito, o brincar com a criança na hora da alimentação ou do banho, no sentido de produzir movimentos, estimula o desenvolvimento das suas sinapses nervosas. Nos bebês com Síndrome de Down, por exemplo, como nascem com hipotonia muscular, que é quando há frouxidão nos ligamentos, os pais podem auxiliar no reforço das articulações de tronco, visto que é previsto o sentar dessa criança dentro dos seis meses de vida. Os exercícios, por sua vez, permitem que elas atinjam as diferentes fases do desenvolvimento”, explicou Alynne.
A mãe de um bebê com Síndrome de Down pode ainda investir tempo na prática de rolar o bebê na cama, o que além de estimular o desenvolvimento da criança, ainda trará diversão para o ambiente doméstico. Posicionar o bebê sentado na hora de vestir uma roupinha pode ser uma ação feita com música enquanto cada braço é colocado no seu devido lugar, a fim de que a força motora necessária seja estimulada.
Microcefalia
“No caso dos bebês com microcefalia, como há um agravamento mais significativo, é preciso trabalhar a estimulação na área de fonoaudiologia, visto que esses bebês tem uma certa dificuldade de deglutição. A mãe pode estimular a cavidade oral para que a criança consiga se alimentar, e para isso pode apertar a bochecha e provocar cócegas com uma escova de dente bem molinha na boca desse bebê. Podem até parecer coisas muito simples e mínimas, mas repercutem imediatamente, com avanços diários”, acrescentou a Área Técnica da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, da SES.
Paralisia cerebral
No que se refere à paralisia cerebral severa, quando não há controle de pescoço, de tronco ou de perna, a fonoaudiologia, a fisioterapia e a terapia ocupacional apresentam a mesma progressão. “O que vai variar é o ganho dessa criança diante das condições físicas apresentadas, a exemplo do melhor controle de cabeça ou da cavidade oral. Um grande resultado que pode ser obtido com estimulação precoce é a criança conseguir sentar sem que hajam quedas contínuas”, destacou a profissional.
Para cada caso, a estimulação precoce vai atuar de forma específica no organismo da criança, que vai agregando respostas positivas a curto, a médio e em longo prazo. Entre os materiais mais usados na estimulação feita nas residências, em crianças que apresentam essas três deficiências, está a fralda de pano para uso da brincadeira ‘Cadê o bebê’, que estimula o acompanhamento do som e a percepção no olhar. Bater as mãos na água que usada na hora do banho com a própria mão do bebê auxilia na sensibilidade da audição, do tato, favorecendo o reconhecimento do ambiente desde muito cedo.
“As esponjas de prato, por sua vez, servem para trabalhar a sensibilidade na pele da criança, tanto no sentido da aspereza quanto da maciez, que é essencial para bebês com paralisia cerebral, especificamente, a fim de que quando tocar numa superfície quente, por exemplo, sua sensibilidade esteja aguçada a ponto de ele se afastar do perigo. A gelatina, caixas para brincadeiras e embalagens com grãos prontas para movimentação também são importantes recursos nesse processo, que favorece a superação em todas essas deficiências”, concluiu Alynne França.
Publicado: 22 de fevereiro de 2018, 19:05 | Atualizado: 22 de fevereiro de 2018, 19:05