‘Violência contra a Mulher’ é abordada na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes

A violência contra a mulher é uma realidade em todas as partes do mundo e não há classe social específica onde ela aconteça. Nesse sentido, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) abordou na terça-feira, 16, o tema Violência da Mulher em alusão ao Outubro Rosa. Já nesta quarta- feira, 17, foi ofertado nas alas da unidade o “Circuito de Alongamento”, ginástica laboral com os alunos do curso de Fisioterapia e o psicólogo Fábio Santos apresentou voz e violão. As atividades aconteceram na maternidade, ministrado pela advogada Valdilene Oliveira Martins, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da OAB/SE, e presidente e conselheira da Comissão de Gênero e Violência Doméstica do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Em sua fala, Valdilene explicou que a agressão não é só física, mas pode também ser verbal, moral, psicológica e patrimonial. “A Lei Maria da Penha deixa claro no artigo 5°, vários tipos de violência. Nos relacionamentos o controle é bastante visto como cuidado. O marido que não deixa a mulher sair à noite, é um exemplo de violência. A partir daí, ele vai limitando o direito de vida da pessoa. Abordamos, então, como o assunto violência é ensinado a partir da educação de casa, da escola e do convívio na sociedade”, disse a palestrante.

A advogada atentou para a importância de acolher e ouvir a pessoa que foi agredida, sem julgamento, sem impor o que pensa. Ela deixa claro, no entanto, que a violência doméstica é um dos crimes mais bárbaros que existem, pois a vítima é refém do afeto que tem pelo agressor. “Por exemplo, a mulher que sofre abuso do companheiro ou a criança que sofre abuso do pai”, observou a advogada. Ela ressaltou que  há aplicativos que ajudam na denúncia de casos de violência.

 

Ela explicou que após a denúncia é aberto um protocolo que será averiguado para detectar se a mesma é anônima e muitos casos são resolvidos, podendo ter o apoio do Conselho Tutelar. “Quando as mulheres se sentirem ameaçadas, têm que avaliar o grau dessa ameaça. Vale ressaltar que a violência começa de pequena, como piada, chacota e bullying. A mulher deve se atentar para esses acontecimentos, caso ocorra frequência, a pessoa tem que se policiar para resolver o problema”, alertou a advogada.

Valdilene foi incisiva ao afirmar que se não houver resolução se torna necessário procurar um profissional da área de psicologia, serviço social ou jurídica. “Pela cultura, o Nordeste, principalmente nas áreas rurais, é o local onde a violência é constante. É fundamental prestar boletim de ocorrência, nada pode ser feito sem ele. Quando o homem agride ou mata a mulher na frente das crianças, o crime é agravado, quando ela é gestante, está mais vulnerável”, disse.

O superintendente da MNSL, André Nascimento, disse que durante todo o mês de outubro serão desenvolvidas atividades como palestras, encontros e rodas de conversa.  “Nosso objetivo principal é alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e do câncer de colo do útero. Ainda falar sobre violência e todos os temas que sejam relacionados à segurança e bem estar da mulher”, falou André.

 

Maria da Penha

A advogada observou que a Lei Maria da Penha não precisa de alterações, mas ser enfatizada. Ela citou a Guarda Municipal de Sergipe que faz o trabalho de acompanhamento e proteção, mas se for necessário, a agredida poderá pedir que a Polícia Militar (PM) também atue.

“Os agressores são replicadores do que viveram. Pode ser o marido que viu o pai ou avô agir da mesma maneira. Eles aprenderam o exercício de que o poder é a forma mais adequada de se relacionar”, alertou a advogada.

Valdilene enfatizou que a violência doméstica é o reflexo da cultura patriarcal da educação sexista, ela decorre da suposta supremacia masculina, onde a mulher só tem que se submeter e obedecer.

Segundo a Enfermeira Ana Carla Andrade, a palestra: violência contra a mulher foi muito pertinente. “Trabalhamos em uma maternidade, atendemos mulheres de diversas classes sociais e idades, entre  elas pode haver mulheres que sofrem violência ou até no nosso convívio, por isso precisamos saber que o profissional de saúde deve notificar quando encontra esses casos’’. Ressaltou ainda que foi muito importante conhecer todo o processo que vitimiza tantas mulheres, “A palestra foi feita de uma maneira leve, apesar de ser um tema tão doloroso a palestrante tem tal domínio que mal percebemos o tempo passar”, concluiu Ana Carla Andrade.

 

Denuncie

180 – Central de Atendimento a Mulher

181 – Disque Denúncia Polícia Civil

190 – CIOSP Polícia Militar de Sergipe

Onde procurar ajuda

Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) – (79) 3225-8679

Delegacia Especial de Atendimento a Mulher de Aracaju (79) 3205-9400

Delegacia Especial de Grupos Vulneráveis de Lagarto (79) 3631-3150

Delegacia Especial de Grupos Vulneráveis de Itabaiana (79) 3431-8513

Delegacia Especial de Grupos Vulneráveis de Nossa Senhora de Socorro (79) 3256-4001

Delegacia Especial de Grupos Vulneráveis de Estância (79) 3522-0277

NUDEM Defensoria Pública do Estado de Sergipe (79) 3205-3726

Publicado: 17 de outubro de 2018, 15:26 | Atualizado: 17 de outubro de 2018, 15:30