Terapeuta Ocupacional que ressignificou a perda da visão para continuar realizando os seus sonhos ajuda pacientes no CER IV

Da cidade de Campo do Brito, localizada na região central de Sergipe, é a personagem desta matéria especial.  Uma mulher que encontrou outras formas de olhar para a vida e alcançar os seus sonhos. 

Simone de Almeida, 35 anos, mãe e, atualmente, a nova Terapeuta Ocupacional do Centro de Reabilitação José Leonel Ferreira Aquino – CER IV, equipamento da Secretaria de Estado da Saúde, protagoniza uma história de ressignificação da vida. Quando tinha  vinte anos perdeu a visão do olho esquerdo e aos vinte e dois, também passou a não mais enxergar com o olho direito. “Tudo começou em 2006 quando eu estava gestante do meu filho, eu tive um descolamento de retina no olho esquerdo, fizemos cirurgia mas não houve solução e eu perdi a visão deste olho. Eu tive meu filho e, em 2008, ele tinha um aninho ainda quando eu comecei a sentir os mesmos sintomas no olho direito e, em uma semana, a retina também descolou. Eu  fiz, novamente, cirurgias e tudo mais, mas também não teve solução e eu acabei ficando cega”, rememora Simone no laboratório de AVD (Atividade de Vida Diária) do CER IV, onde desenvolve grande parte do seu trabalho no Centro de Reabilitação. 

Para Simone, a perda da visão foi um desafio que ela não hesitou em enfrentar, buscando incansavelmente novas formas de correr atrás de tudo o que sempre almejou. “Depois que eu percebi que estava conseguindo retomar minha rotina, procurei também retomar os meus sonhos, retornei aos estudos, às coisas que eu queria para a minha vida. Naquele momento, procurei o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP), em Aracaju e fiz a minha reabilitação na mobilidade Braille, leitores de tela, essas coisas que a gente precisa quando se torna uma pessoa cega”, compartilha a terapeuta demonstrando otimismo. 

Um dos sonhos realizados por Simone, foi a formação em um curso da área da saúde que possibilitasse impactar a realidade de outras pessoas que vivem com deficiências. “Eu não conhecia a terapia ocupacional, só cheguei conhecer essa área depois de ficar cega, antes, eu queria um curso na área da saúde no qual  eu me encontrasse como pessoa com deficiência visual, capaz de oferecer o meu trabalho e quando eu li sobre terapia ocupacional, vi que me encaixava e poderia ser essa profissional”, relata. 

A experiência recente, como parte da equipe do Centro de Reabilitação tipo IV, demanda uma série de novas superações. “A gente não pode fugir das coisas novas que surgem em nossas vidas, mas estar aqui no CER IV é um desafio, estar vindo da minha cidade, nos dias que venho trabalhar, é desafiador, conhecer esse equipamento da Saúde tão amplo exige muito, mas também é um sonho realizado. O CER IV é um meio de transformação de vidas, porque dá possibilidade para que pessoas retomem seus caminhos e metas, eu me vejo como alguém que está aqui também para ajudar essas pessoas e aprender com elas e com todos os profissionais que aqui trabalham. Eu sinto que este centro tem muita humanidade, pessoas abertas e dispostas a ajudar, a oferecer a mão quando a gente precisa. No centro tem acessibilidade: rampas, piso tátil, corrimão… Eu tenho pouco tempo aqui, estou ainda me adaptando à estrutura”, expressa Simone com gratidão. 

A Terapeuta Ocupacional, Simone de Almeida, chega para engrandecer ainda mais a equipe multidisciplinar do equipamento referência no atendimento às pessoas com deficiência do estado, o CER IV. Hoje, no laboratório de AVD, conduz processos de reabilitação com pessoas, que assim como ela, precisam desempenhar atividades e tarefas funcionais cotidianas de maneira autônoma. A profissional chega para somar com competência técnica e também com a vivência de quem transformou a perda da visão em novas possibilidades de ver o mundo e sentir a felicidade. 

Por Ewertton Nunes/Repórter-SES

Fotos: Flávia Pacheco e Ewertton Nunes

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Publicado: 9 de fevereiro de 2022, 15:53 | Atualizado: 9 de fevereiro de 2022, 15:58


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