Sergipe já realizou este ano 449 partos em adolescentes
De janeiro a abril deste ano, o Governo de Sergipe através da Secretaria de Estado da Saúde (SES) contabilizou 449 partos em meninas com idade entre 10 e 19 anos. O número já corresponde a 80% de todos os casos registrados em 2016, quando 563 jovens tiveram filhos.
Segundo a coordenadora de Saúde da Mulher, na Coordenação da Rede de Atenção à Saúde (Ceras) da SES, Kátia Valença, Sergipe tem seguido na contramão do restante do país em termos de ocorrências de gravidez na adolescência. Enquanto que no Brasil o índice de adolescentes grávidas registrou queda de 17% entre 2004 e 2015, em Sergipe tem sido verificado um aumento desses dados.
“O que ocasiona a gravidez precoce é a repetição de um ciclo, uma vez que muitas adolescentes grávidas têm mães que engravidaram cedo. Esse status social, o de se casar e ter filhos, faz com que elas sejam vistas como mulheres-mães”, explicou a coordenadora.
Kátia Valença destaca ainda que os municípios de Feira Nova, seguido de Cumbe, Santana do São Francisco, Divina Pastora e Amparo do São Francisco são os de maior incidência de adolescentes grávidas na faixa etária. De acordo com ela, este ano o número de nascidos vivos entre mães adolescentes em Sergipe já representa quase 27% de todo o quantitativo de 2016.
“A gravidez na adolescência pode desencadear problemas que tornam a gestação de risco. Pode ocorrer mais freqüentemente carência nutricional materna com implicações no desenvolvimento do bebê, maior incidência de aborto espontâneo e de parto prematuro, baixo peso neonatal e maior probabilidade de bebês com má formação. As chances de adquirir hipertensão são maiores na adolescente grávida, bem como de adquirir anemia”, detalhou Kátia.
O pré natal tardio também é comum em casos de gravidez na adolescência. Em geral, as meninas levam mais tempo para revelar a gravidez em função de vários fatores, entre eles, o medo da reação da família. Essa atitude está relacionada à condição de saúde materno infantil, uma vez que um pré natal iniciado tardiamente, após 12 semanas gestacionais, provoca atraso no diagnóstico de condições físicas e psicológicas que podem pôr em risco a gestação.
Outro fator que implica em situações de gravidez precoce é que as adolescentes podem apresentar medo de serem rejeitadas socialmente, podem provocar isolamento social espontâneo, rejeição ao bebê e sentimento de culpa. Além desses fatores, pode haver baixa autoestima e problemas de relação com a família.
“Ao contrário do que se imagina, a gravidez ocorrida na adolescência nem sempre é uma gravidez indesejada. Na verdade, esse termo ‘gravidez indesejada’ se aplica aos pais, aos professores e à sociedade, mas para o adolescente é considerada uma forma de ser respeitado e de status na família, na sociedade, tratando-se de uma forma de ascensão social”, pontuou a coordenadora de Saúde da Mulher da SES.
Publicado: 23 de maio de 2017, 11:56 | Atualizado: 23 de maio de 2017, 11:56