Sergipe fica acima da estatística nacional no aumento de doadores de múltiplos órgãos em 2023

Em comparação a 2022, a Central Estadual de Transplantes registrou 28% a mais no número de doações de múltiplos órgãos. Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam crescimento de 17% em todo o Brasil

A Central Estadual de Transplantes (CET), a Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Sergipe e o Banco de Olhos de Sergipe (Bose) divulgaram os números relacionados à doação de órgãos e tecidos para transplantes em 2023. O levantamento apontou um aumento de 28% das doações em relação a 2022 no estado. Ao todo, foram 41 registros durante todo o ano, uma média de mais de três doadores por mês. 

Recentemente, o Ministério da Saúde (MS) também divulgou os dados da oferta de órgãos e tecidos para transplantes em todo o Brasil, e destacou que o resultado, no ano passado, foi o melhor dos últimos dez anos, apontando um aumento de 17% em relação a 2022. Os números colocam Sergipe acima do ranking nacional quanto ao número de doações de órgãos no país. No total, de janeiro a setembro do ano passado, foram efetivadas 3.060 doações em todo o Brasil. Segundo o MS, as informações ainda são preliminares e estão sujeitas a alterações.    

Segundo a coordenadora da OPO, a enfermeira Darcyana Lisboa, o resultado destaca todo o trabalho de sensibilização que tem sido realizado pelas equipes quanto ao aceite dos familiares para a doação de órgãos. “Sabemos e entendemos que é um momento bastante delicado quando perdemos um ente querido. No entanto, isso também acaba se transformando em um momento de esperança para outras famílias, porque cada doador pode salvar até sete vidas, a depender da quantidade de órgãos captados. Este é um resultado de muita união entre os hospitais, da capacitação de profissionais, da divulgação na imprensa e de muito acolhimento aos familiares que nos disseram sim para a doação”, salientou.

A coordenadora enfatizou ainda, que a busca ativa por doadores é fundamental no processo da doação de múltiplos órgãos. “Mesmo sendo uma instituição ligada à Central Estadual de Transplantes, a atuação da OPO envolve diversos setores, tanto da rede pública quanto privada. Orientamos e capacitamos quanto ao protocolo instituído de morte encefálica. É importante que a sociedade saiba que é um trabalho bastante amplo e, desde quando há a notificação de um possível paciente, começamos o acompanhamento”, frisou.      

Atualmente, para que o paciente seja doador, é preciso expressar, ainda em vida, a vontade para os seus familiares. “É importante destacar que, embora algumas pessoas tenham documentado esse desejo no próprio Registro Geral (RG), hoje, para doação, isso não é considerado válido. Quem autoriza a captação é a própria família. Por isso, é importante que a pessoa comunique sempre aos seus entes sobre o desejo de ser um doador”, ressaltou Darcyana Lisboa.

Números em 2024

Os primeiros dez dias de 2024 também já demonstram números positivos com o aceite de cinco famílias, três doadores em um único dia. Os pacientes tinham 19, 29 e 31 anos, dois vítimas de acidentes de moto e um por ferimento de arma de fogo. Foram atendidos na Ala Vermelha do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) e encaminhados para a Unidade de Apoio Crítico da unidade hospitalar e fechado o protocolo de morte encefálica.  

“Foi uma grande surpresa para todos nós. Um fato inédito, três jovens e três famílias abraçaram a causa. Acolhemos todos os familiares, explicamos como funciona todo o protocolo e eles aceitaram fazer a doação”, comentou a coordenadora da OPO. 

Dados 

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, com 4.514 cirurgias realizadas, o rim é o órgão mais transplantado, com 66,72% dos procedimentos no país. Em segundo e terceiro lugar, aparece o fígado (1.777) e o coração (323), respectivamente.

Fotos: Ascom SES

Publicado: 11 de janeiro de 2024, 15:33 | Atualizado: 11 de janeiro de 2024, 15:33