Saúde alerta sobre os riscos relacionados à hipertensão arterial

Estudos têm mostrado que aumento da condição entre a população jovem se deve aos hábitos de vida menos saudáveis, que acarretam em aumento na obesidade e elevação nos níveis de colesterol

A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma condição médica crônica caracterizada pelo aumento persistente da pressão sanguínea nas artérias. É uma das doenças mais comuns em todo o mundo e pode levar a complicações graves, caso não seja tratada adequadamente. Com o objetivo de conscientizar a população em relação à pressão alta, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em alusão ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado nesta sexta-feira, 26, destaca a importância de controlar a pressão arterial elevada, a fim de reduzir os riscos de complicações, principalmente em jovens, devido ao crescimento de casos.

Sendo um fator de risco para várias doenças graves, a  hipertensão arterial pode desencadear doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), doença renal crônica e problemas oculares. De acordo com o médico cardiologista e emergencista no serviço de Telecardiologia do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Yuri Lobão Silva, a hipertensão arterial é o fator de risco mais prevalente encontrado nos casos de doença cardiovascular e AVC, que são as duas causas de morte mais ocorrentes no Brasil.

“A cada cinco minutos, morre uma pessoa em decorrência de AVC no Brasil, e a doença cardiovascular responde a 1/3 das mortes por todas as causas no país. O AVC mata em torno de 100 mil pessoas por ano e, recentemente, tem sido observado um aumento na incidência na população jovem, abaixo dos 45 anos, apesar de ser ainda bem mais prevalente nos idosos acima de 60 anos, que respondem por 80% dos casos”, alertou o médico.

Segundo o especialista, estudos têm mostrado que esse aumento da condição entre a população jovem se deve aos hábitos de vida menos saudáveis, que acarretam no aumento da obesidade e na elevação dos níveis de colesterol. “A doença aterosclerótica exerce papel fundamental nos casos de AVC dito isquêmico, quando ocorre por obstrução do fluxo sanguíneo em uma área do cérebro em decorrência de trombo ou êmbolo”, pontuou.

Desse modo, a prevenção ainda é a medida de maior impacto na redução dos casos. O  controle dos fatores de risco se torna indispensável e, para isso, algumas medidas podem ser adotadas: tratamento adequado da pressão arterial e diabetes; adoção de estilo de vida saudável com dieta balanceada, pobre em sódio e açúcar; práticas regulares de exercícios físicos; perda de peso e controle do colesterol; interrupção do tabagismo.

Pressão alta associada a episódios de emoção 

Existem dois tipos principais de hipertensão arterial: primária (ou essencial) e secundária. A hipertensão primária é a forma mais comum e não tem uma causa específica identificada. Já a hipertensão secundária é causada por outra condição médica subjacente, como doença renal, problemas hormonais ou ainda uso de certos medicamentos. Além desses dois tipos, a nefrologista do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) Susan Soares explica que também pode ocorrer a elevação da pressão diante de episódios de emoção. De acordo com a especialista, apesar de serem um fator potencialmente prejudicial ao organismo, esses quadros não se configuram como hipertensão emocional, mas sim um aumento temporário da pressão arterial que é desencadeado diante de determinadas situações. 

“São pessoas que têm picos de pressão devido a algum episódio de emoção. Isso pode ser perigoso, porque às vezes a pessoa só afere a pressão no momento de estresse, logo deduz que o aumento se dá apenas pelo momento, mas é necessário que a pessoa verifique quando estiver também em uma condição mais relaxada, para saber se de fato continua ou não alterada. Com o monitoramento, é possível concluir se isso está relacionado só a esses episódios ou se é necessário iniciar um tratamento. Ou seja,  não existe hipertensão emocional, mas o aumento temporário por causa de alguma ansiedade”, esclareceu a nefrologista.

Fotos: Ascom SES

Publicado: 26 de abril de 2024, 17:27 | Atualizado: 26 de abril de 2024, 17:27