Prevenção: Saúde alerta a população sobre os cuidados contra a Sífilis

Por Herieta Schuster

 

“Estava me arrumando para sair quando, através do espelho, vi uma mancha nas minhas costas. Tomei um susto. Fui ao médico e descobri que estava com Sífilis. Não acreditei no diagnóstico porque nunca achamos que vai acontecer. Sou a prova que qualquer um pode pegar. Sou uma mulher casada e com filhos”.

 

Esse é o relato de uma mulher de 36 anos de idade que adquiriu a Sífilis em uma relação sexual sem camisinha. Para ela, o seu relato é importante para chamar a atenção de outras mulheres sobre essa doença muitas vezes silenciosa, mas que tem crescido bastante nos últimos anos.

 

O Ministério da Saúde (MS) divulgou na semana passada que o Brasil enfrenta uma epidemia de Sífilis e lançou uma ação nacional de combate à doença, que é transmitida sexualmente. De acordo com o gerente do Programa Estadual de IST/Aids da Secretária de Estado da Saúde (SES), o médico Almir Santana, Sergipe notificou 11.333 casos de 2007 até outubro de 2016.

 

“É espantoso o aumento de casos de Sífilis, seja no consultório público ou privado, seja nas classes sociais menos favorecidas e até nas mais altas. Sífilis é uma doença que, hoje, não escolhe classe social”, comenta Almir Santana.

 

A Sífilis começa com uma ferida no pênis, vagina ou ânus, denominada cancro duro. Às vezes, a pessoa não percebe. “Depois a lesão desaparece, mesmo sem tratamento. Isso não significa que a pessoa ficou curada porque a bactéria da Sífilis fica no sangue e, posteriormente, pode se manifestar em outras partes do corpo”, informa o gerente, alertando, também, que “outras manifestações podem surgir como: queda de cabelo, manchas (erupções) nas mãos e pés”.

 

Alerta

 

Almir Santana alerta para a importância do teste rápido para a detecção da doença. “A Sífilis é silenciosa. Poucos dão importância. Por isso, muitos não costumam fazer o exame. Outro problema detectado é que, normalmente, a mulher faz o exame e o tratamento e o homem, normalmente, não. Isso não adianta porque é preciso que os dois façam o tratamento corretamente”, alerta o médico.

 

O gerente também relata o aumento de casos de Sífilis Congênita em bebês. Em 2015, foram registrados 374 casos. No ano de 2016, até o mês de outubro, foram detectados 211 casos.

 

“A Sífilis passar de mãe para filho, podendo causar danos no cérebro e deformações no bebê. A maioria das mulheres descobre a gravidez tardiamente. Elas chegam tarde às Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou a doença não está sendo descoberta pela equipe. Há mulheres que demoram para confirmar a gravidez e acabam fazendo o pré-natal muito tarde, o que atrapalha o diagnóstico precoce e seu tratamento”, alerta.

 

Publicado: 25 de outubro de 2016, 18:59 | Atualizado: 25 de outubro de 2016, 18:59