Mulheres são maioria no acompanhamento dos pacientes do Huse
Por Katiane Menezes
Fotos: Katiane Menezes
A lavradora Jaqueline Santos, 30, deixou a casa no município de Divina Pastora para acompanhar a cunhada durante o internamento no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse). Assim como ela, centenas de mulheres mudaram a rotina de vida para se dedicar a um ente querido ou um amigo que está hospitalizado.
“São dias curtos e noites longas. Já são 18 dias longe de casa e dentro de um quarto de hospital. Abri mão de tudo para estar ao lado da minha cunhada nesse momento difícil que ela passa. Sei que meu cuidado é fundamental para a recuperação”, declarou.
No Huse, a maioria das acompanhantes é do sexo feminino. É possível perceber o cuidado, o zelo e o carinho com que cada uma trata o paciente. As mulheres acompanhantes são fortes, de sorriso no rosto, coração generoso e sempre prontas para uma nova missão.
Há dois meses, a dona de casa Maria Cirleide Pinheiro, 46, está ao lado da filha que é paciente renal e está internada na enfermaria do Huse para tratamento com hemodiálise.
“Sou mulher forte. Deixei meus outros filhos em casa, cheios de saudades, e vim cuidar da filha que também precisa de mim. Nessa hora, sabemos o quanto a mulher é forte. Só vou em casa lavar as roupas dela e volto ao hospital. Mas hoje, Jesus nos ouviu e abençoou. Chegou a hora de despedir das amigas que fiz no Huse por esse tempo. Cada uma com seus problemas. Mas todas prontas para ajudar e acolher”, destacou.
Pelos corredores do Huse, muitas mulheres enfrentam a dor com sabedoria e coragem. Exaustas, encontram força para continuar, mesmo quando a idade já não suporta. É o caso da dona de casa aposentada Josefa Nascimento, 78 anos. Mesmo apresentando cansaço e não deixa de ajudar na troca de fralda, no banho, na medicação e na alimentação do filho que está internado há dez dias.
“Todos dizem que sou uma mulher de fibra. Estamos aqui no hospital, sem previsão de alta. Muitas mulheres estão nesta mesma situação. Não tenho mais idade para perder noite em hospital, mas ele só tem a mim. Mulher é mais caprichosa e ajeita tudo direitinho. Aqui no hospital são tantas mulheres nesta situação de mudança de rotina. Os profissionais são ótimos e nos ajudam no que for preciso”, garantiu a aposentada.
A superintendente do Huse, Lycia Diniz, reconhece que a luta dessas mulheres é incansável. “Circulando o hospital é possível encontrar muitas dessas mães, tias, irmãs, amigas em atuação. Muitas são do interior. A mulher já tem esse dom de proteção, amor, cuidado. Aqui no Huse, é notório esse acolhimento que caracteriza a alma feminina. Temos que parabenizar essas guerreiras que mudam a rotina para cuidar de outras vidas”, declarou.
Publicado: 6 de março de 2017, 13:05 | Atualizado: 6 de março de 2017, 13:05





