Mães da UTIN: rede de suporte auxilia no acompanhamento dos bebês internados

“Queria muito poder cuidar de minha filha, mas hoje um grande vidro nos separa me restando ser mãe da Utin. Não é fácil. Meu bebê está na incubadora envolvido com tubo e fios, mas nunca perco a esperança, minha filha para mim é tudo”. Esse é um relato de Sandra Heliosa, que há seis meses acompanha o atendimento recebido pela filha, Flaviana Vitória, internada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL).

Ela é uma das muitas mães que após o nascimento dos filhos passam a frequentar dia e noite os corredores da MNSL. Mês após més a união dessas mães se transforma em uma corrente do bem. Ao descobrir que estava grávida do seu segundo filho, Laura se assustou, após 17 anos seria mãe novamente. Ela decidiu encarar a maternidade e com sete meses de gestação a bolsa rompeu. Ela deu a luz ao seu bebê hoje internado na UTIN da MNSL.

“Há dois meses dei entrada em um hospital regional e depois fui transferida para MNSL. Aqui tive todo cuidado que precisava , dei a luz ao meu filho e quando pensei que iria tê-lo em meus braços recebi visita dos médicos que comunicaram que meu bebê havia nascido com uma doença rara, ossos de vidro. Ele teria que ficar internado por tempo indeterminado. A partir daí minha vida se resume a ele e se não fosse as amizades que fiz aqui, hoje continuaria triste e sem esperança”, afirmou Laura Soares.

Laura virou amiga de Sandra e juntas superam todas as dificuldades. “Laura é meu braço direito aqui na maternidade. Estou há mais tempo e juntas conseguimos superar todas as fazes complicadas dos nossos filhos. A pesar dos nossos filhos não terem os mesmos problemas de saúde nós duas temos uma coisa muito importante em comum: somos mães e amamos nossos filhos acima de qualquer circunstancias”, afirmou emocionada a dona de casa Sandra Heloísa.

O que a psicologia explica

As amizades geradas dentro na Utin tem impactos na evolução dos bebês. Sílvia dos Anjos, psicóloga da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes conta que a redução da tensão, preocupação e estresse dos pais causa um impacto direto na saúde dos bebês internados. “O ambiente da Utin é desafiador para as mães, são situações difíceis. Elas já entram na ala muito tensas e ansiosas sobre como vão encontrar os bebês. Quando elas começam a dialogar elas expõem seus medos, suas angustias e acabam criando um vínculo de segurança entre elas e uma fortalece a outra. Essa amizade deixa os profissionais da UTI Neonatal mais serenos e tranquilos, resultando na melhor execução do trabalho e mantendo o equilíbrio dos profissionais”, explicou a psicóloga.

Publicado: 11 de maio de 2017, 14:37 | Atualizado: 11 de maio de 2017, 14:37