Mães atípicas recebem orientação e assistência no Centro Especializado em Reabilitação tipo IV

O recebimento do diagnóstico de autismo nem sempre é fácil, mas o CER IV busca acolher e direcionar as mães atípicas

A maternidade atípica pode vir acompanhada de grandes desafios, experiências e aprendizados, e a fim de acolher e orientar as mães que vivenciam essa realidade, o Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Ferreira Aquino (CER IV) oferece o programa de orientação parental para as mães assistidas na unidade. São conhecidas por ‘mães atípicas’ aquelas mulheres cujos filhos são pessoas com algum tipo de deficiência, síndrome rara ou outra condição que interfira no seu desenvolvimento.

O recebimento do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nem sempre é fácil e, muitas vezes, há dificuldades sobre como entender o espectro e quais caminhos procurar no primeiro momento. Quem sabe da importância do programa do CER IV é a servidora pública Chirley Gonçalves, que é mãe do pequeno Theo, de cinco anos. Ela disse que começou a suspeitar do diagnóstico do filho quando ele tinha dois anos de idade, mas logo procurou ajuda e compartilhou a sensação de alívio de ter onde buscar assistência.  

“O início não foi fácil, pois a gente nunca está preparado, mas a partir do momento que tive conhecimento de como ajudar meu filho, não medi esforços para fazê-lo. Devo todo o desenvolvimento de Theo ao CER IV, pois hoje ele consegue se comunicar e desenvolveu habilidades que antes tinha muita dificuldade, e tenho certeza que ele só tem a melhorar devido ao acolhimento oferecido pela unidade”, contou Chirley. 

Outra pessoa assistida pelo serviço é a dona de casa Maria José Melo, que é mãe de Lucas, de cinco anos, também diagnosticado com TEA. Para ela, o CER IV foi essencial na assistência ao seu filho, por meio do acolhimento e das orientações recebidas pelos profissionais. “Quando descobri, ele tinha dois anos, e aos poucos fui aprendendo como proceder e fomos encaminhados para cá. Sou imensamente grata, pois Lucas não fala, mas tem se comunicado bem junto aos profissionais, que têm feito diversas orientações para manter o tratamento de forma correta em nossa convivência do dia a dia”, disse Maria. 

O apoio e a empatia também foram fundamentais para a dona de casa Simone Silva, que é mãe de Kemilly Victória, de seis anos, e Kamille Victória, de dois, ambas diagnosticadas com TEA. Segundo ela, a assistência do CER IV foi muito importante, pois foi onde ela aprendeu sobre o espectro. 

“Eu tive assistência do psicólogo, orientação dos profissionais de como lidar em momentos de crises e auxiliar mais conforto para as minhas filhas em outros locais. Para mim, como mãe, foi essencial ter apoio durante o tratamento das meninas, que ganharam certa autonomia ao se comunicarem por meio das terapias. Foi emocionante para mim ouvir a minha filha me chamando de mãe ou pedir um copo d’água, pois eram coisas que não aconteciam antes do CER IV”, relatou. 

Orientação parental 

No CER IV, as mães atípicas recebem auxílio durante a reabilitação/habilitação das crianças com TEA, para que a família consiga dar continuidade ao tratamento no ambiente familiar e educacional. 

De acordo com a gerente assistencial do Centro, Karina Prado, o programa de orientação parental tem o intuito de orientar, capacitar e direcionar os pais voltados ao comportamento da pessoa com deficiência em aspectos voltados ao comportamento e comunicação. “Temos uma equipe que faz a orientação acerca das necessidade do dia a dia da criança para melhorar o desenvolvimento e qualidade de vida, além de direcionarmos a fatores específicos relacionados a limitações, rotinas dos autistas e legislações da pessoa com deficiência”, explicou a gerente. 

Serviços aos pacientes com TEA

Para os pacientes com TEA, é oferecido um tratamento humanizado com atendimento interdisciplinar dos profissionais, além do espaço lúdico da brinquedoteca, onde as crianças podem desenvolver suas habilidades e capacidades, a fim de promover sua autonomia e independência. 

A gestora operacional de deficiência intelectual e TEA, Michele Kelly Ferreira, explicou que o tratamento é acompanhado por uma equipe qualificada para atender às especificidades dos usuários. “Temos profissionais da assistência social, psicóloga, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, neuropediatra, nutricionista e fisioterapeuta, a fim de garantir cada vez mais o acolhimento a essas crianças”, salientou.

Fotos: Flávia Pacheco

Publicado: 10 de maio de 2024, 18:16 | Atualizado: 10 de maio de 2024, 18:16