‘Lourdinha’ registrou quase 1.300 partos de adolescentes em 2016

Por Júnior Matos

Fotos: Arquivo SES/FHS

Em 2016, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) registrou 1.288 partos de adolescentes entre 13 e 18 anos de idade. O número corresponde a uma média mensal de 107 partos para esse público. No ano de 2015, a ‘Lourdinha’ realizou 1.281 partos de jovens.

De acordo com o que preconiza o Ministério da Saúde (MS), a gestação de adolescentes menores de 16 anos é classificada como de alto risco por fator social. “O pré-natal é muito importante em qualquer tipo de gestação: habitual ou de alto risco. A falta de planejamento da gestação e a não adesão (em muitos casos) ao pré-natal, motivam o alto risco da gestação na adolescência”, explica a médica especialista em ginecologia e obstetrícia, Alba Patrícia Vieira.

A paciente L.M.A.S., 16 anos, vem sendo assistida pela MNSL. Ela conta que só fez o pré-natal apenas duas vezes antes da realização do parto. “Tinha medo e dúvida. Não esperava ficar grávida tão cedo. Hoje, meu sentimento é de alívio por saber que o meu bebê nasceu forte e saudável. Confesso que me arrependo de não ter feito o pré-natal de forma regular”, declarou a jovem.

Ainda de acordo com dados do MS, a gravidez na adolescência é considerada de risco até os 21 anos de idade. O corpo da menina ainda está em fase de amadurecimento e de desenvolvimento até esse período. Quando a gravidez ocorre, pode trazer muitas consequências, envolvendo fatores biológicos e de saúde.

“Apesar das campanhas conscientização e da distribuição gratuita de anticoncepcionais e preservativos realizada pela rede pública de saúde, a gravidez precoce tem crescido de forma preocupante. De acordo com pesquisas nacionais, os jovens têm usado menos camisinha por não considerar vulneráveis. O assunto tem que ser ainda mais abordado nas escolas e, claro, o aconselhamento dos pais também é fundamental”, explica o gerente do Programa Estadual de IST/AIDS da SES, Almir Santana.

Idade avançada e gestação de alto risco

A gestação acima dos 35 anos também é considerada de alto risco. Os fatores biológicos são os principais motivadores. “É nessa fase da vida que as mulheres têm uma predisposição de desenvolver diabetes, hipertensão, entre outras patologias”, ressalta Alba Patrícia.

O planejamento familiar, a maior preparação e a adesão ao pré-natal podem garantir a segurança da futura mamãe e do bebê durante esse período.

“Entender a diferença entre gestação e o parto de alto risco é fundamental. O recomendado para as mulheres que desejam engravidar, principalmente, após os 35 anos de idade, é que devem procurar o obstetra e realizar os devidos cuidados para avaliar a saúde e, claro, esclarecer todas as possíveis dúvidas sobre a gestação”, finalizou a obstetra.

Publicado: 1 de fevereiro de 2017, 14:01 | Atualizado: 1 de fevereiro de 2017, 14:01