Huse completa 30 anos cuidando da saúde dos sergipanos

Por Katiane Menezes

 

A maior unidade hospitalar pública do Estado, o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) completou 30 anos nesta segunda-feira, 7, com uma gama de serviços prestados à população sergipana e aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de estados vizinhos como a Bahia e Alagoas, que diariamente são encaminhados ou se deslocam à procura de serviços de saúde de média e alta complexidade.

 

Para se ter uma ideia do grau de importância do Huse, vale analisar as estatísticas de atendimentos realizados anualmente. Somente em 2015 foram 160 mil atendimentos e esse ano (janeiro a outubro de 2016) já somam 130 mil usuários atendidos, sejam eles em urgência, emergência e internações, além de consultas no Centro de Oncologia e no Hospital Pediátrico.

 

Inaugurado em 7 de novembro de 1986, o Huse começou a funcionar quase três meses depois, no dia 2 de fevereiro do ano seguinte. Nessas três décadas de existência, o maior hospital público de Sergipe, hoje responsável por uma média mensal de 15 mil atendimentos somente de urgência e emergência, passou por várias reformas e mudanças assistenciais e estruturais.

 

A superintendente do Huse, Lycia Diniz, destaca os anos de trabalho dedicados a salvar vidas e a fazer o Huse se desenvolver e ofertar um serviço de qualidade e acolhedor. “O Huse cresceu em espaço físico e em organização do trabalho. Meu principal objetivo é cuidar do Huse. Tenho muito orgulho dessa equipe tão querida. É um trabalho primordial para salvar vidas”, destacou.

 

Adequações

 

Consagrado pela assistência de qualidade, o Huse continua inovando em sua performance. Com o passar dos anos, a estrutura proposta adquiriu uma forma mais complexa. A planta do hospital, sofreu uma série de modificações para adequação às novas tecnologias e às necessidades originadas pela demanda crescente. Uma das maiores obras estruturais contempladas pela Reforma Sanitária e Gerencial do SUS implementada a partir de 2007, a construção do novo Pronto Socorro adulto, inaugurado em 16 de dezembro de 2010, constitui-se em um dos principais pilares dessa nova era.

 

Dividida pelas Áreas Azul, Verde, Amarela e Vermelha, essa nova unidade incorporou em definitivo o modelo do Acolhimento com Classificação de Risco preconizado pelo Ministério da Saúde e que prioriza o atendimento pelo risco e gravidade do paciente. Tudo equipado com aparelhos de alta tecnologia e mobiliário. São respiradores, monitores multiparamétricos, desfibriladores, carros de emergência, aparelhos de raio-X, além de macas, cadeiras de rodas e colchões.

 

O Huse recebeu também uma nova unidade pediátrica, em uma área de 1300 m², com leitos de urgência e emergência, além de Unidade de tratamento Intensivo (UTI). Depois foi a vez de investir em leitos de terapia intensiva com a implantação da nova unidade que já dispõe de 75 leitos (entre adulto e infantil). O novo Centro Cirúrgico com 9 salas e a Sala de Recuperação Pós Anestésica (SRPA) também foi uma grande conquista. O complexo hospitalar, dispõe, também da única Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do Estado e do Centro de Oncologia Dr. Oswaldo Leite (COOL).

 

A dedicação dos servidores foi (e ainda é) importantíssima para construir a história do Huse. Dos 500 profissionais em 1986, hoje o Huse conta com 3.653 servidores entre estatutários e celetistas contratados por meio de concurso público após a implantação da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Deste total, 738 são médicos, distribuídos em diversas especialidades como clínica geral, pediatria, ortopedia, cardiologia, oncologia, cirurgias geral, plástica, torácica e vascular.

 

Reconhecimento

 

A técnica de enfermagem Rosineide Santos lembra com carinho como iniciou seus trabalhos no Huse. “Foi uma emoção ao entrar nesta casa há 30 anos. Eu era estudante, fazia um curso técnico de enfermagem em 1986. Foi quando surgiu o concurso, fiz e fui aprovada em 52º lugar. Trabalhar aqui no Huse é uma vida. Iniciei com 22 anos, depois casei, tive filhos. O Huse é uma paixão. É o mesmo amor que tenho pelos meus filhos. Vi cada parede dessa ser modificada com o passar dos anos. O Huse cresceu e se desenvolve a cada dia”, conta.

 

A executora de serviços básicos e, hoje, recepcionista, Maria das Graças Alves, não segura a emoção e fala da sua aposentadoria que já está encomendada para o próximo mês de fevereiro. Ela não consegue imaginar a vida longe do Huse.

 

“Passo grande parte do meu dia aqui no Huse. Vai ser difícil essa separação. Se eu pudesse nem me aposentava agora. Vou sentir muita falta. É muito bom trabalhar com essas pessoas e ajudar as mais necessitadas que chegam diariamente em busca de acolhimento. Meu coração continuará batendo forte aqui dentro”, disse.

 

Desde a fundação do Huse, a executora de serviços operativos e, hoje, recreadora do Internamento da Oncologia, Maria Madalena Santos Silva, fala sobre o que representa fazer parte do Huse.

 

“Consigo lembrar de cada detalhe do Huse, cada parede que foi derrubada e que deu lugar a novos espaços para ofertar só o melhor. O crescimento dele me faz ter alegria e servir tão bem aos que chegam. Daqui a pouco vai chegar a hora de dar tchau, mas tenho certeza que outros profissionais, com novos conhecimentos, chegarão para somar e fazer esse nosso Huse crescer ainda mais”, afirmou.

 

RH

 

O complexo hospitalar possui ainda 1.860 profissionais de enfermagem, sendo 352 enfermeiros, 368 auxiliares de enfermagem, 289 técnicos de enfermagem, assistentes de enfermagem I e II, 60 nutricionistas, 27 psicólogos, 29 cirurgiões-dentistas e cirurgiões buco-maxilo-facial, 13 biomédicos, 30 farmacêuticos, 104 fisioterapeutas, 97 técnicos de radiologia, 62 técnicos de laboratório, 21 ajudantes-laboratoristas de Saúde, 56 agentes de serviço de saúde e 58 assistentes sociais.

 

Também integram o corpo clínico do Huse gastroenterologistas, hematologistas, infectologistas e profissionais que atuam nas áreas de pediatria, nefrologia, neurologia, oftalmologia, psiquiatria, urologia, otorrinolaringologia, ultrassonografia, pneumologia, proctologia, terapia intensiva, além de fonoaudiólogos, bioquímicos, instrumentadores cirúrgicos e equipe da área administrativa.

 

O diretor clínico do Huse, Marcos Kroger, ressaltou a qualidade dos serviços prestados e parabenizou toda equipe. “Falar do Huse é falar da minha casa. O Huse é uma cidade, presta serviço de alta qualidade. São 100 mil refeições a cada mês, 70 toneladas de roupas mensalmente. Tenho 20 anos de Huse dedicados a urgência e emergência. São 30 anos de existência, feitos por pessoas que se dedicam a salvar vida. Parabéns a toda equipe da saúde, a todos que acreditam na missão do Huse”, declarou.

 

Referência

 

Em março de 1997, entrou em funcionamento o serviço de Tomografia com um moderno tomógrafo para atender a pacientes internos e do Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, três tomógrafos (2, 16 e 64 canais) e localizados em setores estratégicos do hospital fazem parte do crescimento do Huse. O centro de trauma conta também com o ambulatório de retorno que facilita o agendamento e garante assistência continuada ao paciente.

 

A construção do bunker que abrigará o segundo acelerador linear do Centro de Oncologia do Huse é acompanhada diariamente pelas equipes gestoras da SES e da FHS, bem como por representantes do Ministério da Saúde (MS), órgão responsável pela obra e aquisição do equipamento.

 

O atual aparelho de radioterapia do Huse já tem 17 anos e trabalha incansavelmente para atender a uma demanda que é crescente. Atualmente, em Sergipe existem duas máquinas de radioterapia para suprir a demanda dos pacientes oncológicos locais e até de outros Estados: a 3D no Huse e a 2D no Hospital de Cirurgia. A construção desse novo Bunker permitirá a unidade ampliar e fortalecer o atendimento para toda população que depende de tratamento pelo SUS no Estado de Sergipe.

 

De acordo com as estatísticas dessa última semana (31 de outubro a 6 de novembro) o Huse registrou 2.921 atendimentos. Desse total, 363 internados para outros tratamentos. No mês de outubro, o Huse realizou 13.509 atendimentos totais, sendo que 11.666 foram classificados como de baixa complexidade (5.594 foram usuários de Aracaju).

 

Publicado: 7 de novembro de 2016, 18:42 | Atualizado: 7 de novembro de 2016, 18:42