Huse apresenta protocolo da Tuberculose aos profissionais da unidade
Um evento especial realizado pelo Núcleo de Epidemiologia, Segurança do Paciente e Infecção Hospitalar (NESPIH), do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), marcou o Dia Mundial da Tuberculose, celebrado no dia 24 de março. Profissionais das áreas de saúde e administrativa participaram do evento, que tratou de temas específicos sobre a doença e referentes ao programa de prevenção da tuberculose dentro do hospital. Uma forma de cuidar da população e mostrar aos profissionais de saúde como cuidar de si mesmos.
A infectologista do NESPIH, Ana Claúdia Câmara, iniciou a palestra mostrando a situação da Tuberculose no Brasil, através do Protocolo do Ministério da Saúde. “Entre 2016 e 2017, foram diagnosticados 69 mil novos casos de tuberculose. De acordo com a nova classificação da Organização Mundial da Saúde 2016-2020, o Brasil ocupa a 20ª posição na lista dos 30 países prioritários para tuberculose e a 19ª posição na lista dos 30 países prioritários para tuberculose HIV. É a 4ª causa de mortes por doenças infecciosas e a 1ª causa de mortes dentre as doenças infecciosas definidas dos pacientes com AIDS”, explicou.
O diagnóstico laboratorial da tuberculose foi discutido pelo biomédico do setor de microbiologia do Huse, Roberto Vivas, que explicou a forma de coleta da amostra para exames de tuberculose. De acordo com ele, a abordagem desse ponto é fundamental para que o profissional de saúde possa ajudar a reduzir a transmissão da tuberculose dentro do hospital.
“É importante o profissional saber sobre as coletas das amostras de escarro espontâneo que são coletadas em dois dias consecutivos, o primeiro na unidade de saúde no momento da consulta e o segundo na manhã seguinte ao despertar. Já o escarro induzido é indicado quando o paciente tem pouca secreção ou não consegue expelir, para isso é feita uma nebulização que fluidifica a secreção do pulmão e provoca irritação levando à tosse e expulsão do escarro, amostra é menos viscosa e semelhante à saliva. É importante que o profissional identifique o pote como sendo um escarro induzido. O diagnóstico laboratorial é feito através de baciloscopia, cultura e testes moleculares”, pontuou.
A coordenadora do NESPIH no Huse, Iza Lobo, finalizou o evento apresentando o protocolo da Tuberculose no Huse, enfatizando os riscos e os cuidados que os profissionais devem ter com ele e com o paciente. Somente no ano passado, foram diagnosticados 68 novos casos da doença no hospital. Este ano, até o último dia 20 de março, já tinham notificados 17 novos casos de tuberculose no Huse.
“No Huse, há um decréscimo dos casos notificados de tuberculose que é bem interessante, talvez porque a rede básica e outros municípios têm tido mais casos, mas, o fato é que tem chegado menos aqui no Huse. É importante avaliar o risco dos profissionais e as áreas que oferecem maior risco dentro do hospital. É preciso adaptar espaços de isolamento, coletar o escarro de forma segura, em salas específicas, agilizar o diagnóstico da tuberculose e evitar que o paciente com diagnóstico confirmado fique transitando pelo hospital. É importante que a gente se mobilize em relação a essa doença tão antiga e com grande relevância no mundo. Muitas pessoas interrompem o tratamento quando os sintomas desaparecem, o tratamento é longo, mas, deve ser completado independente da melhora no quadro”, enfatizou.
Ela destacou ainda que o mais importante são as medidas de processo. “O paciente com tuberculose não pode ficar num ambiente coletivo, ele deve ser encaminhado para um isolamento, muitas vezes o profissional deve estar atento para que um paciente com sintomas respiratórios, uma potencial tuberculose fique no meio dos outros pacientes. Observar uma tosse persistente, se alguém não viu, a classificação não viu, o médico não perguntou, o profissional alerta, chama o núcleo para solicitar uma baciloscopia, conduzir o caso independente de achar o médico. Tem meios de se proteger, tanto os funcionários como os pacientes que estão no pronto socorro. Ter um diagnóstico rápido para liberar esse paciente, enquanto ele estiver no hospital deve estar em isolamento não no meio coletivo”,pontuou Iza Lobo.
Para quem participou do evento, um momento de conhecimento e mais aprendizagem. “Gosto muito de estar me atualizando e participo de todos os cursos que acontecem no hospital. É muito bom estar se atualizando, tanto para nossa segurança como para a segurança do paciente”, concluiu a técnica de enfermagem da Ala 500 do Huse, Daniela Santana.
Fotos: Valter Sobrinho
Publicado: 26 de março de 2019, 14:37 | Atualizado: 26 de março de 2019, 14:37


