Hemose: tratamento melhora qualidade de vida de pacientes com anemia falciforme
Por Rosângela Cruz
As donas de casa, Maria Rosana do Nascimento, 47 anos, e Valmira Bispo, 48 anos, compõem a lista de cerca de 80 pacientes portadores da anemia falciforme assistidos no ambulatório do Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose). Doença genética, hereditária predominante em negros, mas que pode manifestar-se também nos brancos, a enfermidade é caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos que perdem a forma arredondada e ganha o aspecto de uma foice.
Conforme as usuárias, apesar do diagnóstico tardio, elas conseguem levar uma vida normal. “Fui uma criança doente e parte da minha adolescência também. Só fui levar uma vida mais tranquila depois que o médico descobriu a minha doença, na época já estava com 15 anos. Depois disso, comecei a usar medicação para controlar a anemia e as dores nas articulações dos braços e pernas”, contou Maria Rosana.
“Depois que comecei meu tratamento aqui com os médicos, minha situação melhorou muito”, acrescentou Valmira.
De acordo com o médico onco hematologista do Hemose, Lucas de Menezes, apesar de não existir cura para doença, o diagnóstico precoce é fundamental para uma melhor qualidade de vida ao portador. “O tratamento ameniza os sintomas da doença. Quanto antes for feito esse diagnóstico, o paciente pode ter uma vida mais tranquila”, destacou.
Para detectar a doença e iniciar o tratamento, é fundamental a realização de analises laboratorial para o diagnóstico precoce. Um deles é o teste do pezinho, realizado assim que a criança nasce. O segundo é o exame de eletroforese de hemoglobina, que mostra os tipos de hemoglobinas presentes no sangue, este último é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Causada por uma alteração genética, caracterizada por um tipo de hemoglobina, o portador da anemia falciforme apresenta má-formação das hemácias. Esse tipo de anemia mutante só pode ser transmitida pelo pai e pela mãe. No caso da patologia ser transmitida apenas por um dos pais, o filho terá somente o traço falciforme e não a doença manifesta.
Dentre os sintomas mais frequentes da doença citam-se as crises intensas nas articulações dos braços, pernas, a cor amarela nos olhos, fadiga intensa, além da tendência a infecções. Apesar de ser pouco conhecida, é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil.
Atendimento
No Hemocentro de Sergipe, os pacientes têm acompanhamento com equipe multidisciplinar composta por médicos, pediatra, hematologistas, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogo, dentista, farmacêutico e assistente social. Também recebem transfusão de concentrados de hemácias de acordo com o tipo sanguíneo e do fenótipo, que é bem especifico para cada indivíduo. Mais informações sobre o atendimento aos pacientes, através dos telefones: (79) 3225-8000 e 3225-8046.
Publicado: 4 de novembro de 2016, 18:40 | Atualizado: 4 de novembro de 2016, 18:40



