Eixo Crítico do Huse é referência no atendimento a pacientes cardiovasculares

Com a otimização dos processos assistenciais, a unidade garante atendimento em diversas especialidades e cuidados com equipe multidisciplinar

O Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) tem implementado protocolos e diretrizes específicas com a finalidade de otimizar, cada vez mais, os processos assistenciais. Entre os setores que já conquistaram avanços significativos nos quatro primeiros meses de 2024, estão as Unidades de Apoio Crítico (UAC) e Cardiovascular (UCV), que oferecem suporte a pacientes pós-cirúrgicos e à Ala Vermelha da unidade hospitalar, respectivamente. 

A Ala Vermelha, UAC e UCV compõem o Eixo Crítico do Hospital de Urgências. “As três unidades oferecem suporte a todos os pacientes de alta complexidade com patologias clínicas e cirúrgicas. É a única porta especializada para pacientes de alta complexidade na rede SUS”, garante o cardiologista e coordenador do Eixo Crítico da unidade, José Edvaldo Santos. 

“A área vermelha funciona como estabilização, a Unidade de Apoio Crítico oferece suporte aos pacientes politraumatizados e aos pacientes no pós-operatório e a Unidade Cardiovascular dá suporte aos pacientes do neurointensivismo e os pacientes cardiovasculares críticos. Ambas as unidades são dotadas de todos os equipamentos e tecnologia, além da realização de exames complementares para permitir o diagnóstico e o tratamento adequado desse perfil de pacientes”, complementou.

As unidades UAC e UCV contam com a assistência médica em diversas especialidades, cuidados com equipe multidisciplinar com profissionais das áreas de Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, entre outras. No total, os 20 leitos são divididos em 10 de apoio crítico e 10 para a unidade cardiovascular.

Unidade Cardiovascular

A UCV é referência a pacientes críticos cardiovasculares, além dos neurológicos, com assistência específica voltada aos pacientes em investigação de morte encefálica. Entre os principais índices alcançados, ao longo dos meses, estão a redução da taxa de permanência hospitalar e da taxa de mortalidade, além da melhora significativa dos índices das Infecções Relacionadas à Assistência de Saúde (Iras). 

“Na unidade, fornecemos toda a assistência intensivista que o paciente necessita para a conquista da melhora clínica. Sempre digo que aqui é o coração do Huse, porque somos referência para a Alta Complexidade. É uma assistência muito importante que apresenta profissionais qualificados, além de todo o suporte de equipamentos e materiais”, destacou a enfermeira e gerente da UAC, Bruna Andrade.  

Para a gestora, os índices demonstram a assistência de qualidade e cuidados específicos fornecidos aos pacientes. “Sabemos da responsabilidade de toda a equipe, do cumprimento dos protocolos, acompanhamento diário da conduta e da dedicação de todos. Faço questão de lembrar que o paciente que a gente cuida na unidade é o amor da vida de alguém”, salientou.

O paciente Antônio Marcos Nascimento, de 52 anos, precisou dos cuidados na unidade depois de descobrir uma doença cardíaca ainda durante o internamento. “Precisei fazer a amputação do dedo do pé e detectaram um problema no coração. O hospital foi muito rápido e não irei precisar de cirurgia. Graças a Deus, estou muito bem. Todo o tratamento foi ótimo e fico até sem palavras para descrever todo o cuidado que recebi por aqui. Tudo isso tem uma importância grandiosa e vou levar para a vida”, contou. 

Assistência especializada

Recentemente, um dos casos atendidos pela unidade ganhou destaque pelo feito inédito e histórico para a saúde sergipana, possibilitando o parto de uma gestante com morte encefálica. “Foram três semanas de um intenso acompanhamento e esforços contínuos de toda a equipe. Além de manter os órgãos viáveis para a doação, foram realizados diversos cuidados com assistência beira-leito 24 horas”, enfatizou Bruna Andrade. 

caso é considerado raro no mundo. No Brasil, existem relatos de apenas cinco casos na literatura científica. “Foi um caso bastante desafiador. Após a constatação da morte encefálica, todos os cuidados que fizemos foram para o feto, baseado na ciência. Foi um acompanhamento diário e muito desafiador porque, quando tem a morte cerebral, os órgãos ficam muito difíceis de manter, cuidados com o fluxo sanguíneo e toda a conduta tem que se basear em metas. Então, foi realmente um trabalho diário para verificar todo o funcionamento dos rins, fígado, pulmão, coração e da placenta. Sabíamos dos desafios e costumo dizer que não fizemos nada sozinhos, foi uma grande mobilização de toda a equipe multidisciplinar, além do empenho da unidade hospitalar”, relatou o médico intensivista da UAC, João Manoel da Silva. 

Durante a permanência na unidade, a equipe também foi capacitada para oferecer cuidados específicos à paciente e ao bebê. “Toda a equipe ficou muito emocionada. Cuidar é uma das maiores artes que a enfermagem e todos da área da Saúde possuem para restabelecer o quadro do paciente. Trabalhamos com o coração e com a esperança, independente do quadro do paciente. Acompanhei todo o processo desde a chegada da paciente na unidade hospitalar e foi uma grande dedicação de todos”, concluiu a enfermeira da UAC, Wilma Ferreira.

O caso assistido pelo Huse é ainda mais raro porque, além de ser uma paciente com quadro de morte encefálica fechado, foi possível a preservação de órgãos graças ao trabalho desenvolvido pela equipe médica, permitindo a captação de órgãos com destinação para os estados de Pernambuco e Ceará.

Fotos: Flávia Pacheco

Publicado: 3 de junho de 2024, 12:25 | Atualizado: 3 de junho de 2024, 12:25