Aleitamento materno: mitos e verdades sobre alimentação

 

Por Morgana Barbosa

 

Muitos mitos relacionados à alimentação pairam durante o período em que a mulher está amamentando. Consumir cerveja preta, alimentos a base de milho, pirão de galinha de capoeira, entre outros, acabam sendo relacionados ao, suposto, fortalecimento do leite materno ou ao estímulo à lactação. Mas será que, de fato, surte algum efeito?

A nutricionista da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), Jaqueline Muniz, é enfática ao esclarecer: “nenhum leite materno é fraco”. A afirmativa embasa todo o processo de conscientização para mulheres que buscam alimentos sob o pretexto de melhorar a qualidade da amamentação. “O que nós recomendamos é que haja uma alimentação balanceada. O importante é manter uma alimentação saudável”, destacou.

De acordo com a nutricionista os alimentos e costumes difundidos popularmente para fortalecer ou estimular a produção do leite, agem, na verdade, de forma psicológica. São os denominados “alimentos lactogogos”.

Em relação ao estímulo à produção do leite, o método comprovadamente eficaz é a própria sucção realizada pelo bebê. “Não há comprovação científica que indique interferência de alimentos na produção de leite materno ou qualidade da  amamentação”, acrescentou a nutricionista.

No entanto, há algumas recomendações que podem evitar as cólicas em bebês. O consumo adequado de chocolate, café e outros alimentos que contém cafeína, estão entre os cuidados que devem ser adotados. Segundo a nutricionista é indicada a ingestão de, no máximo, 30 g de chocolate, por dia, e no máximo duas xícaras pequenas de café. Além disso, devem ser evitados os alimentos gordurosos e frituras.

O consumo exagerado de peixes como o atum o dourado comum, também podem provocar prejuízos, tanto durante a gestação quanto no período de amamentação, por serem alimentos ricos em mercúrio. “Os fetos e bebês expostos a elevados níveis de mercúrio podem vir a ter dificuldade para andar e falar”, explicou Jaqueline.

As bebidas alcoólicas também devem ser evitadas, pois o álcool, além de alterar a composição do valor nutricional do leite, também interfere no aroma e pode causar outros malefícios ao bebê.

Benefícios da amamentação

O leite materno é o alimento mais completo que o bebê pode ter. É indicado que esse seja o alimento exclusivo do recém-nascido, durante, pelo menos, seis meses. Essa opção pelo aleitamento materno garante ao bebê todos os nutrientes que ele precisa nessa fase da vida, auxilia no estabelecimento da imunidade contra algumas doenças e contribui com o vínculo mãe-bebê. Além disso, a amamentação também gera benefícios para a mãe.

“A amamentação exclusiva, durante os seis meses, diminui a incidência de câncer de mama e de ovário”, declarou a nutricionista.

Quanto à necessidade de perder peso, levantada por muitas mulheres, a nutricionista alerta que não é indicado, nesse período, realizar dietas de emagrecimento.  “O próprio processo de amamentação contribui para a perda de peso”, finalizou.

 

Publicado: 29 de março de 2017, 18:52 | Atualizado: 29 de março de 2017, 18:52