Bem mulher


Voltado ao desenvolvimento de estratégias para reduzir a mortalidade e as repercussões físicas, psíquicas e sociais do câncer do colo do útero e de mama, além das doenças sexualmente transmissíveis, o programa Bem Mulher é a iniciativa do Governo de Sergipe para abrir junto à sociedade uma discussão profunda e abrangente em torno dos diversos aspectos determinantes da saúde da mulher (trabalho e renda, relações de gênero, violência, entre outros) através de estratégias da educação popular e utilização de elementos da cultura e arte.

Muitas experiências voltadas à prevenção do câncer de colo e mama já foram realizadas em Sergipe. No entanto, nenhuma delas conseguiu impactar os indicadores de saúde especificos. Para se ter uma idéia, apenas três dos 75 municípios sergipanos conseguiram atingir as metas do pacto da saúde referentes à realização de exames preventivos para o câncer de cólo de útero. O insucesso destas práticas está assentado no seu modelo de execucão essencialmente assistencialista e sem atuação na construção da autonomia dos municípios.

Por meio de uma ação conjunta entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e Secretarias Municipais de Saúde serão oferecidos serviços de prevenção e detecção precoce de estágios iniciais da doença, assim como tratamento e reabilitação.

CÂNCERES DE COLO DO ÚTERO E DE MAMA

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), dentre todos os tipos, o câncer do colo do útero é o que apresenta um dos mais altos potenciais de prevenção e cura, chegando perto de 100% quando diagnosticado precocemente. Seu pico de incidência situa-se entre 40 e 60 anos de idade e apenas uma pequena porcentagem ocorre abaixo dos 30 anos.

A prevenção primária pode ser realizada através do uso de preservativos durante a relação sexual, uma vez que a prática de sexo seguro é uma das formas de evitar o contágio com o HPV (vírus do papiloma humano), que tem um papel importante para o desenvolvimento do câncer e de suas lesões.

Para impedir o avanço da doença, são recomendadas ações de detecção, dirigidas às mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos de idade, que incluem o diagnóstico precoce (através de exame Papanicolaou e exames de confirmação diagnóstica) e o tratamento necessário de acordo com cada caso.

Em relação ao câncer de mama, ainda segundo o Inca, a prevenção deve focar os fatores de risco, especialmente, a obesidade e o tabagismo. A detecção precoce é a principal estratégia para controle do câncer de mama.

O Consenso para o Controle do Câncer de Mama (Inca) preconiza a realização do exame clínico das mamas para mulheres de todas as faixas etárias, como parte do atendimento integral à mulher. Para mulheres acima de 40 anos de idade, esse exame deve ser realizado anualmente e, para aquelas na faixa etária de 50 a 69 anos recomenda-se a realização de uma mamografia, pelo menos, a cada dois anos. As mulheres submetidas a esses exames devem ter acesso garantido aos demais procedimentos de investigação diagnóstica e de tratamento quando necessário.

DST/AIDS

O avanço de doenças sexualmente transmíssiveis em mulheres está intimamente relacionado a discussão do câncer de cólo de útero, visto que as estratégias de pervenção são similares. Para tratar desta questão, o Bem Mulher trabalha na abordagem sindrômica e teste para o HIV e Sífilis como estratégias para a interrupção da cadeia de transmissão e para enfrentar o aumento da presença do HIV em mulheres.

Enquanto na década de 80, quando foram notificados os primeiros casos de AIDS no Brasil, havia uma mulher para cada 25 casos homens contaminados, a proporção atual é de 1,4% casos em mulheres para cada caso masculino e, em algumas faixas etárias, como a de adolescentes, a proporção chega a ser a mesma.

PLANEJAMENTO FAMILIAR

O Planejamento Familiar será abordado através de metodologia de educação em saúde, esclarendo as mulheres sobre os métodos disponíveis e orientando-as na escolha do método mais adequado a sua vida.

As equipes do Bem Mulher vão identificar as mulheres aptas a realizar esterilização cirúrgica, como a laqueadura de trompas, incluindo-as em fila única que obedecerá critérios de acesso baseadao na ordem de chegada e risco reprodutivo, o que vai acabar com a intermediação política a este direito.

Entendendo o papel social de cuidadora de sua família, freqüentemente desempenhado pelas mulheres, as ações vão buscar atingir a população masculina prioritária para os exames preventivos de câncer de prostáta.

AUTOPROTEÇÃO

O sucesso de ações de prevenção e detecção precoce está relacionado não apenas à existência destas ofertas no Sistema Único de Saúde (SUS), mas a capacidade das mulheres para o desenvolvimento do auto-cuidado.

Nenhuma ação voltada para este tema terá sucesso se não considerar o trabalho das equipes de saúde da família no cotidiano da vida destas mulheres, bem como a importância de utilizar saberes do campo da psicologia, antropologia e outras ciências sociais.

A apropriação destas novas ferramentas para a construção de ações de saúde permitirá compreender melhor os fatores que implicam a relação que a mulher estabelece com o seu corpo, família e parceiros, e as razões que impedem o auto-cuidado.

OBJETIVOS

De forma simplificada, os principais objetivos do programa Bem Mulher são:

* Capacitação de todas as equipes de saúde da família para estimular a prevenção do câncer de colo uterino, detecção precoce do câncer de mama, abordagem sindrômica de DST/AIDS;

* Diminuir o avanço do câncer de colo de útero, através do incentivo à medidas de prevenção e detecção precoce como o exame Papanicolau;

* Detecção precoce do câncer de mama através da realização de avaliação clínica das mamas nas mulheres acima de 40 anos e avaliação mamográfica, naquelas com clínica positiva para nódulo mamário;

* Realização de abordagem sindrômica para DST/AIDS para interrupção da cadeia de transmissão;

* Testagem para HIV e Sífilis em papel filtro;

* Utilização de tecnologias leves, do campo das ciências socias e arte, para discussão de temas como relações de gênero, trabalho e renda, violência;

* Informação da rede de proteção da mulher vítima de violência.

METODOLOGIA

Todo o trabalho deve ser realizado em parceria com os municípios, considerando sua rede de saúde e indicadores, numa lógica de transmissão de tecnologia para que as cidades possam assumir posteriormente a liderança da iniciativa.

Através de mobilizações regionais, o Governo do Estado quer atingir a meta miníma de exames citopatológicos pactuada junto ao Ministério da Saúde, o que representa a possibilidade concreta de evitar a evolução das doenças e evitar mortes por câncer do colo do útero.

Outras secretarias do governo são parceiras importantes para o Bem Mulher, como as de Comunicação Social, Cultura, Inclusão e Desenvolvimento Social, Trabalho, entre outras.

ETAPAS

1. Educação Permanente
Envolve os gestores municipais e capacita equipes para o desenvolvimento de monitoramento e avaliação dos indicadores de saúde, identificação de populações vulneráveis e prioridades de saúde.

2. Divulgação
Informação é a base de qualquer projeto de prevenção em saúde e, por isso, o Governo vai ampliar o alcance das iniciativas com ampla divulgação em diversas mídias como televisão, rádio, carros de som, faixas, etc.

3. Mobilização
Com duração de uma semana a cada passagem por uma região, a meta é utilizar, sempre que possível, a estrutura da unidades de saúde e os trabalhadores das equipes de saúde da família para fortalecer o vínculo entre as mulheres e os serviços de saúde, essencial para a continuidade do cuidado.

Antes de chegar aos locais para realização dos exames, as mulheres serão acolhidas em estações temáticas onde terão a possibilidade de discutir assuntos relevantes ao público feminino como relações de gênero, violência, trabalho e renda, cuidados de saúde, planejamento familiar.

As mulheres que tiverem parceiros ou filhos com idade acima de 40 anos, rececerão uma carta-passe para que eles compareçam à unidade de saúde em dia marcada após a mobilização para realizar os exames de prevenção do câncer de próstata.

Mulheres em idade fértil serão encaminhadas à estação temática de planejamento familiar. Aquelas que desejarem e atenderem os critérios do Ministério da Saúde, deverão ser encaminhadas para a lista única de procedimentos de esterilização cirúrgica.

Todo o trabalho será continuado através de uma rede montada para oferecer retaguarda às mobilizações, contemplando a realização de exames e cirurgias necessárias, bem como o acesso a medicamentos. A mobilização dura uma semana, mas a atenção integral precisa ser garantida às mulheres durante toda a vida!




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