Governo de Sergipe oferta atendimento especial para bebês com sífilis congênita

19 de abril de 2017

Com mais de 9.200 casos registrados no ano passado, a sífilis congênita é uma doença que afeta os bebês já nos primeiros dias de gestação ou de nascimento. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas em 2016 mais de 8.900 crianças foram diagnosticadas durante os primeiros sete dias de vida.

A transmissão da doença para o bebê acontece através da mãe infectada durante a gestação, como explica o coordenador do programa IST/Aids em Sergipe, Almir Santana. “A mulher infectada, ao engravidar, caso não faça o pré-natal corretamente, pode transmitir a doença para o bebê. Este tipo de transmissão é conhecido como transmissão vertical, pois passa linearmente da mãe para o filho”, ressaltou Dr Almir Santana.

Ainda de acordo com Almir Santana, a doença é considerada grave para os bebês por representar sérios riscos à saúde com consequências irreversíveis. “A criança pode nascer com lesões na pele, no esqueleto, no sistema nervoso, lesões cardiovasculares, ou seja, essa doença é muito cruel para o bebê, ela causa danos muito intensos, inclusive a morte durante a gestação, provocando o aborto”, afirmou o coordenador do Programa IST/AIDS.

Para diagnosticar a doença, os médicos seguem o protocolo do Ministério da Saúde que também estabelece as formas de tratamento a depender do nível de gravidade da doença. Após o diagnóstico, todos os bebês filhos de mães com teste positivo durante a gestação, parto ou após o nascimento precisam ser acompanhados e encaminhados para o tratamento ambulatorial.

Tratamento

Em Sergipe, os bebês que nascem na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) e são diagnosticados com sífilis recebem o tratamento já nos primeiros dez dias após a descoberta da doença. Para a neonatologista Helga Machado, o tratamento é fundamental para que a criança seja curada. “Aqui na Lourdinha, assim que descobrimos a doença, o bebê é tratado de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde isso garante a cura o mais cedo possível e evita que a doença deixe sequelas na criança”, disse Helga Machado.

Na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, além do tratamento, os bebês são acompanhados no ambulatório durante o período máximo de dois anos. “É extremamente importante que as mães, mesmo após o tratamento, continuem trazendo os filhos para que seja possível fazer o acompanhamento até ter certeza de que não existe nenhuma sequela grave para a criança”, destacou a neonatologista.

Quando chegam para o acompanhamento, que acontece mensalmente, a depender da situação, os bebês passam por sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, exames de ultrassom para avaliar o desenvolvimento dos órgãos internos, além de consultas com neuropediatras e principalmente os exames de sangue para ter certeza da cura. “Aqui nós trabalhamos com uma equipe multidisciplinar que busca curar a doença, além de minimizar as consequências da doença nas crianças. Através desse acompanhamento nós podemos avançar no tratamento e em alguns casos, o bebê é liberado antes mesmo dos dois anos de idade”, finalizou Helga.




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