No Brasil, quase dois milhões de pessoas têm autismo

12 de abril de 2017

Por Júnior Ventura

Desde pequeno, os pais de Mateus dos Santos* desconfiavam da quietude da criança. Sempre evitando o contato visual e brincadeiras com outras crianças, aos poucos o menino foi demonstrando interesse por assuntos complexos como política e biologia e tudo isso com apenas cinco anos de idade. “Ele sempre foi um bebê muito calmo e quando cresceu começou a gostar de coisas que não são normais para a idade dele. Foi aí que percebemos que ele tinha autismo”, disse a mãe do garoto que prefere não se identificar.

Para Alynne França, coordenadora estadual da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, a falta de conhecimento faz com que algumas pessoas ainda rejeitem os autistas. “Infelizmente, apesar do mundo em que vivemos, parte da sociedade ainda não consegue aceitar os deficientes, sejam físicos ou intelectuais. O mais triste é perceber que os pais ainda temem que o filho sofra com isso, na verdade eles deveriam ser os incentivadores para um mundo melhor para essas crianças”, ressaltou a coordenadora.

Ela destaca também que existe um preconceito muito grande ao achar que os autistas vivem em um mundo paralelo, algo que, segundo ela, deve ser desmistificado. “O autista está no mesmo mundo em que vivemos. Se continuarmos a pensar assim vamos alimentar o preconceito, mesmo que de forma inconsciente. É preciso chamar os portadores dessa síndrome para o nosso convívio. Apesar da dificuldade na socialização, eles são pessoas que têm muito a contribuir com nossa sociedade. Têm características e personalidades únicas, assim como cada um de nós”, disse a coordenadora.

O autismo pode se desenvolver em diversas fases da vida, desde o bebê até a idade adulta. “É importante dizer que o autismo não é algo que pode acometer a pessoa de um momento para o outro. O indivíduo já nasce com autismo, no entanto, ele pode se destacar em qualquer período”, explica Alynne França, que também ressalta que os pais devem ficar atentos para perceber os primeiros sintomas da síndrome na criança. “Se o bebê não interage com a mãe na hora da amamentação, não gosta de ser tocado, não brinca com outras crianças e sempre fica quieto em algum lugar da casa, ele pode ser portador da síndrome do autismo”, disse.

Ao sinal de qualquer sintoma de autismo, os pais devem procurar auxílio médico para iniciar o tratamento. “As pessoas com autismo tendem a ser menos sociáveis, gostam de ficar em seu cantinho. Por isso os pais devem procurar o tratamento assim que é diagnosticada a síndrome. O quanto antes o tratamento for iniciado, melhor será o desenvolvimento social do autista. Em Sergipe nós temos os Centros Especializados em Reabilitação, que são locais onde os portadores de deficiência intelectual podem ser acompanhados por médicos, fonoaudiólogos, terapeutas e assim aprimorar os sentidos da comunicação e da socialização”, disse

Outra característica muito forte é a alta sensibilidade do autista. “Quem é portador dessa síndrome tem grande dificuldade ao tocar em texturas. Para uma criança com autismo, por exemplo, ao pisar na areia da praia é como se fosse uma agressão ao corpo dela. Outro exemplo é na escola onde, ao tocar na massinha de modelar a criança tem uma sensação angustiante, chegando até a chorar. Além disso, ao ser tocado por outra pessoa o autista fica bastante impaciente e devemos respeitar isso”, enfatizou Alynne França.

A coordenadora destaca também que apesar das deficiências para socialização os autistas podem apresentar um grande interesse por temas bastante difíceis, a exemplo do Mateus, citado no início desta reportagem. “Um autista pode desenvolver um gosto muito grande por matemática, física avançada, química entre outros assuntos e se destacarem como verdadeiros gênios nessas áreas. Isso vai depender do nível de autismo de cada pessoa”, disse Allyne França.

O AUTISMO

Atualmente no Brasil aproximadamente 2 milhões de pessoas têm autismo. “Essa é uma síndrome que causa grande dificuldade nas relações sociais das pessoas, ou seja, é um transtorno no desenvolvimento. O indivíduo com autismo tem bastante dificuldade de se socializar e se comunicar, além disso, os autistas apresentam um comportamento diferente, sempre quietos isolados”, disse Alynne França.

Em Sergipe, as pessoas com autismo poderão contar com um novo Centro Especializado de Reabilitação, o CER 4, que deve ser inaugurado nos próximos meses. O Centro é uma obra do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES). O CER 4 funcionará em Aracaju, no bairro Capucho e vai atender pessoas com quatro tipos de deficiências: a física, visual, intelectual e auditiva. “A cada dia damos um novo passo para acabar com o preconceito às pessoas com deficiência. É bom vermos que temos um governo que trabalha com políticas públicas em benefício dessas pessoas. Assim, vamos oferecer mais qualidade de vida e com mais igualdade às pessoas com necessidades especiais”, finalizou Alynne França.

*Os responsáveis preferiram não identificar as crianças

 




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